quarta-feira, 13 de junho de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #24

- Vem cá, Flam. É tudo exibido desse jeito? - Perguntou, Fabiana.
- Acho que não, Bibi. É porque vocês não conseguem enxergar.
- Enxergar o que?
- As malditas luzinhas.

Elas ficaram ali por uns cinco minutos. Flambarda estava mais maravilhada com a dança dos elementos do que com os dois homens parados em estado de foco absoluto, enquanto Fabiana e Sofia olhavam aquilo tudo tentando entender alguma coisa. Após esse tempo, Rodney caiu abruptamente de bunda no altar enquanto que Rain se levantou rapidamente e acabou ficando tonto caindo e caindo para trás de bunda no chão logo em seguida. O que certamente provocou risada das meninas que tentaram abafar com as mãos.

- Ah, oi meninas! - Disse Rodney. E logo em seguida ele reparou que estavam Sofia e Fabiana também. - Meninas!?
- Oi Rodney. - Disse Flambarda, sem disfarçar que não gosta de encontrar com Rodney.
- Ei, Rodney! - Já Fabiana foi um pouco mais receptiva.
- Oi? - Sofia disse quebrando o pescoço para a esquerda mas não sabia qual emoção transmitir.
- Ah! Chegaram bem na hora. - Disse Rain, se levantando. - Rodney, diga o que viu.
- Bom, eu vi Flambarda pegando a alabarda de volta. - Ele respondeu.
- Não! - Flambarda já chegou perto gesticulando. - Você tá é delirando. Teu cu que eu vou pegar a alabarda de volta.
- Você tá doida, Flambarda? Você precisa daquilo.
- Só se for pra enfiar na sua bunda! Seu babaca!

Sofia e Fabiana riram do ocorrido enquanto Rodney parecia severamente assustado com a atitude dela. Ocorreu um breve silêncio, e Flam resolveu começar a sair daquele lugar, e conforme o fazia, suas duas amigas a acompanhavam. Só que Rain tinha outros planos para ela e prontamente a chamou.

- Você sabe que mesmo sem a alabarda você continua sendo uma detetive, não sabe?
- Não. - Ela disse sem parar de andar.
- Você sabe que eu tô te devendo oitocentos e cinquenta reais né? - Já isso chamou a atenção dela.
- Como? - Ela disse virando-se de frente para ele.
- É. Você achou o agressor para nós. Então nada mais justo que eu lhe pagar. - Ele falou sacando o dinheiro em espécie da carteira.
- Se deu bem, hein Flam. - Disse Bibi.
- Mas eu nem achei ninguém! - Ela retrucou conforme se aproximava dele até ele.
- Nem achei alguém. - Sofia corrigiu. Flambarda fez uma cara de bunda para ela mas não a respndeu.
- Não se preocupe. - Disse Rain. - A enxurrada de informação nas mídias sociais depois que aquele cara apareceu falando que você era uma maníaca... - Até ser interrompido por Flambarda.
- Maníaca é o teu cu.
- Enfim. - Ele ignorou o insulto. - Várias pessoas que foram atacadas por ele xingaram muito no twitter e bingo. Foi fácil descobrir a fisionomia dele e Já até temos druidas em seu encalço.
- Legal, mas isso não significa que eu o achei.
- Significa sim. Ele estará aqui mais cedo ou mais tarde.
- Tá. Vai me dar isso ou não vai?
- Bom. Eu quero te dar ainda mais se você quiser fazer um serviço pra mim.
- E quanto você pretende dar?
- Que tal dez mil?

Após isso, Sofia e Fabiana blinkaram pra perto de Flambarda querendo escutar toda a história, mas ela ficou boquiaberta pensando e tentando decidir se realmente valia a pena essa quantia de dinheiro toda pra fazer alguma coisa que provavelmente envolveria risco de vida. Só que Bibi, gananciosa, e também porque estava desempregada, saiu se intrometendo.

- Ela quer sim.
- Que!? Tá doida Bibi!? - Flambarda disse dando um empurrãozinho nela.
- Caralho, Flam! São dez mil reais!
- Isso não compra nem um carro!
- Mas abre uma empresa! - Isso fez ela ponderar por um instante.
- É dez mil pra cada uma? - Flambarda fez a pergunta a Rain.
- Negativo. - Ele respondou.
- Qual é, Rain!? Dá uma moral aí!
- Hmmmm... - Ele coçou a cabeça. - Que tal o Rodney!? - Ele fez um gesto como se fosse um apresentador de programa de palco.
- Que!?
- É! Eu deixo você usar o Rodney como você quiser durante esse período.
- Que!? - Agora foi Rodney quem perguntou.
- Isso parece um pouco melhor. - Flambarda falou com um sorriso malicioso.
- Rain! Essa mulher vai judiar da minha pessoa!
- Ah! Que isso, Rodney? O que uma mulher inocente como eu poderia fazer? - O sorriso malicioso ainda estava lá.
- Ora Flambarda, seja razoável. - Disse Rain tentando apaziguar o conflito. - E você, Rodney. Seria a oportunidade de conhecer um pouco mais essa garota sensacional que é a Flambarda! - Ela fez uma pose de garotinha pra enaltecer as palavras dele.
- Sério que você realmente acredita nisso?
- E quem não acredita? - Ele apontou para Flam.
- Tá... - Rodney baixou a cabeça em reprovação e aceitação.
- Temos negócio, criança?
- Acho que sim, titio, mas o que eu vou ter que fazer? - Ela disse fazendo uma pose de quem já estava cansada de ladainha e queria ir pra casa.
- Bom, nós recebemos relatos de que há atividade elemental na Penha.
- Porra, Penha?
- Ei, não sou eu quem escolho as coisas.
- Tá e eu vou ter que descobrir a fonte dessa atividade.
- Vejo uma criança astuta.
- Rain, só para que ta feio. - Disse Sofia.
- Bom, você aceita, Flambarda?
- São dez mil, mais os oitocentos e cinquenta que você me deve, mais o Rodney?
- Isso! - Ele disse com um sorriso bem sacana pro Rodney.
- Então beleza! - Ela pegou as oitocentos e cinquenta pilas e em seguida apertou a mão de Rain. - Aceito!
- Ótimo. Não tenho mais nada para tratar com vocês, se me dão licença eu vou relaxar. - Ele disse se retirando pela porta de onde elas vieram.
- Bom, e aí? - Perguntou Bibi.
- Eu vou ter que achar uma utilidade pro Rodney. - Disse Flambarda.
- Eu tenho utilidade pra ele.
- Você quer isso mesmo?
- É claro. Acha que só você pode transar?
- Eu não quero transar com ele não. Deus me livre e guarde.
- Ei! Eu to aqui! - Rodney reclamou.
- Mas é pra você escutar! - Ele resmungou e entrou em posição de pedra depois desse fora.
- Você me empresta ele, Flam?
- Rodney, pode fazer o favor de ir com a Bibi? Ela precisa muito de você.
- Tá bom. - Ele se levantou e foi resmungando sem vontade.
- Iiiih... Vamo lá que eu vou dar um jeito em você. - Disse Bibi pegando ele pelo braço e carregando pra fora da biblioteca.

Ja era particularmente tarde quando isso tudo aconteceu e a saída deles da biblioteca foi algo em torno de nove e meia da noite. Primeiro eles deixaram Flambarda em casa e depois seguiram para a estação de Saens Peña. Flambarda sabia que havia alguma coisa muito estranha para o pagamento ser tão grande, então ela estava tentando arquitetar um plano para ir até lá sem morrer, mas a única solução óbvia era aprender a lutar pra poder se defender da mesma forma que Rodney era capaz de fazer, uma vez que, como foi informada, a luva não vai pegar fogo sem a arma. - "Ela não podia voltar a ter o velcro já que não tem a alabarda?" - Ela pensou com seus botões mas ela ainda precisava conhecer as regras do jogo, e parece que o Elimar poderia ter a chave para todas as suas questões.

Mas a noite ainda não estava terminada. Flambarda jantou com a mãe e pouco depois da janta ela recebe uma ligação de Sofia, a qual ela foi correndo para o quarto para atender.

- Oi Sofia!
- Flam! Cê tá ligada que a prova é quinta-feira né?
- Caralho. Fudeu. - Flambarda colocou Sofia no viva-voz e começou a tentar se organizar o mais rápido que podia.
- Cê conseguiu estudar alguma coisa?
- Porra, Sofia. Nada. Minha vida tá um caos.
- E você já tem um plano?
- Cara. Eu vou matar aula amanhã pra estudar pra essa prova aí.
- Tem uma enxurrada de provas essa semana.
- Nem me fala...

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