terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O Tatuador de Shinsekai

"Toda tatuagem tem uma história, mas o que poucos sabem é que toda história tem uma tatuagem."

Essa era a frase preferida de Kusanagi, o tatuador de Shinsekai. Seu estúdio de tatuagens humilde estava de pé há 20 anos. Muitos clientes vinham de diversas partes do mundo apenas para se tatuar com ele. Boa parte do pagamento dele também era advindo de Yakuzas, que também aproveitavam o serviço para lavar o dinheiro fazendo dele alvo de corrupção passiva, mas honestamente, ele não estava nem aí, o que ele queria fazer era tatuar, e através das tatuagens, contar as histórias.

O problema era que conforme o tempo ia passando, a sua filosofia aos poucos ia se transformando em loucura, ele era um japonês mediano, do tipo que você vê nas ruas de qualquer outro ponto de Osaka. Quem imaginaria que ele começaria a saquear cemitérios? Na calada da noite, com a ajuda de alguns funcionários do necrotério local, Kusanagi começou a exumar corpos, e tatuá-los, com o único propósito de tatuá-los.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Flambarda - A Detetive Elemental #37

- Ok, mas como é que eu ia te explicar que eu arrumei uma luva mágica que solta fogo sem você rir da minha cara?
- Assim ó: - Ela fez um gestual debochando da filha. - "Mãe, eu arrumei uma luva mágica que solta fogo. Pode me ajudar?"
- Tá de sacanagem né? Como é que eu ia adivinhar que você sabia dessa loucura toda?
- Você devia desconfiar desde que seu nome é Flambarda.
- Como assim?
- Senta que la vem textão. - Disse a mãe, colocando o livro de Wuxing no lugar e apontando para fora da biblioteca.
- Que que tem la fora?
- Você não quer mesmo ficar conversando dentro da biblioteca, quer?

Flambarda inchou as bochechas, estava levando bronca da própria mãe em um ambiente onde ela deveria ter a vantagem! Jéssica, a mãe de Flambarda parecia particularmente calma mesmo depois de ter sido raptada, quase como soubesse que seria resgatada em pouco tempo. - "Até onde minha mãe sabe dessas porras!?" - Ela pensava, conforme ambas iam se deslocando para uma sala onde haviam muitas mesas e cadeiras, mas estava curiosamente estava vazia.

Jéssica estava no seu habitual. Diferente da filha ela não era tão alta, e o trabalho pesado a fez ganhar ombros largos e braços razoavelmente grossos que se destacavam na camisa rosa sem mangas surrada de ficar em casa. Ela estava usando shortinho simples sem muita firula que exibiam suas pernas e chinelo havaianas todo florido. O cabelo estava desgrenhado depois de ir pra lá e pra cá sem ter tido a oportunidade de pelo menos penteá-lo, não era a coisa mais lisa do mundo mas faziam cachos selvagens até um pouco abaixo do ombro. Sua cor de pele mulata e seu cabelo negro mostravam que a sua origem tinha um pé na África.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Frases Marcantes #7

"Nós sabemos pensar usando abstrações" - Essa frase foi dita pela minha orientadora do TCC quando eu estava fazendo a matéria que definiu qual seria o tópico do trabalho. A matéria era sistemas distribuídos e apesar da parte prática da matéria pouco ter a ver com o que foi apresentado, a parte teorica fundamentava muito bem e permitiu que eu fosse até o próximo nível para de fato programar a coisa toda. Foi bastante divertido, mas a frase em si não tem nada a ver com o TCC, e sim com o fato de que Cientistas da Computação são, teoricamente, bons em pensar usando abstrações.

Faz um certo sentido uma vez que um cientista da computação nada mais é que um matemático que não tava afim de estudar as outras áreas mais nobres da matemática e gosta de resolver as coisas mais na força bruta. A computação não é uma matemática muito bonitinha. Na verdade a idéia da computação é resolver um problema se valendo da solução de um problema mais simples. Há quem diga que não haveria computação se não houvessem relações de recorrência. Relações de recorrência, de uma forma bem grossa, é mais ou menos isso aí: você sabe resolver um problema em um caso específico, daí você pega isso e usa pra tentar generalizar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Hookshot

Tem momentos na vida, que as pessoas parecem que foram lá no Zelda e pegaram isso.


Porque te pega e te puxa. Apesar do Link usar isso pra chegar perto das coisas, na verdade.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Flambarda - A Detetive Elemental #36

- Aaaaaaaaah que soninho bom, ta escuro, deixa eu ver que horas são. - Ela pega o celular. - Duas horas da manhã!?

Flambarda olhou no celular uma série de notificações de Bibi e Sofia querendo saber o que aconteceu. Ela respondeu agora, sobre o que havia ocorrido no metrô de Saens Peña mesmo sabendo que não ia ter resposta a essa hora. Ela só queria comer alguma coisa e voltar pra cama já que não ia ter a oportunidade de falar com a mãe a essa hora. Ela estava com a mesma camisa preta com a qual havia saído ontem, mas estava só de calcinha porque ela não é nem maluca de dormir de calça jeans. Quando chegou na cozinha observou que não tinha pão. Era como se sua mãe não tivesse passado em casa. O bilhete que ela viu mais cedo ainda estava lá e ela parou pra ler.

"Puta que pariu, tu é preguiçosa mesmo hein? Nem pra ler a porra de um bilhete! Enfim, pegamos sua mãe e queremos que você venha sozinha até a praça Saens Peña de madrugada. Se você puder fazer esse favor para nós, ficaremos muito agradecidos."

"Mas que porra de bilhete é esse?" - Flambarda perguntou. - "E o cara ainda escreve uns garranchos horríveis! Nem pra digitar no Word!" - Depois de reclamar, ela foi averiguar se a mãe dela realmente estava no quarto, e para seu desespero ela realmente não estava. - "Ok. Agora Fudeu."