terça-feira, 5 de junho de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #21

Rodney não estava completamente desacordado, até porque se estivesse Flambarda ia deixá-lo jogado por lá porque ela não o aguenta. Ele do jeito que é certamente foi andando, se escorando nela, pelo túnel entre Saens Peña e Uruguai pertubando-a.

- Caralho. Como é que tu não morreu?
- E eu sei lá! Tô viva já ta de bom tamanho.
- Serião. A gente tem que ver sua cabeça.
- Cala a boca, Rodney.
- Sério mesmo!
- Cala... a... boca Rodney! Porra! Matraca do caralho.
- Nossa, ficou nervosinha foi?

Flam chegou a conclusão que o silêncio seria uma resposta melhor. No primeiro recuo que eles encontraram, ela o largou no chão e se sentou também para respirar. Pra aliviar o barulho, ela colocou o fone de ouvido mesmo que não estivesse tocando nada no celular, porque o barulho dos trens quando começassem a passar certamente seria violento.

- Não vai embora agora? - Rodney perguntou.
- Eu to cansada. Sem falar na dor de cabeça.
- Aqui só vai piorar a dor de cabeça.
- Eu sei, mas eu to exausta, cara. Minhas pernas estão bambas. Eu não vou aguentar andar agora.

Rodney não tinha o que responder. Ele pegou o celular do bolso e tentou discar um número para depois ver que estava sem sinal. - Tsc. - Ele deu um muxoxo. O corpo dele estava bem pior do que o de Flambarda já que o cara lá bateu muito mais nele. Como o corpo dele havia saído do combate, ele começou a sentir a do excruciante de todos os golpes que lhe foram desferidos. A dor era particularmente maior porque, por mais que ele só conseguisse sentir, Flambarda era capaz de ver que as luzes que circulavam pelo corpo dele emanavam um brilho bem vago.

- Ei. Eu preciso que você ligue para o Rain. - Ele dizia, lentamente devido a dor.
- Me dá o seu celular então.
- Pra que?
- Porque eu não quero que ele saiba qual é o meu.
- A essa altura ele proavelmente já sabe.
- Ele é dono da Claro agora, é?
- Não, mas ele certamente conhece quem trabalhe lá.
- Tá de sacanagem... Que filho da...
- Anda logo, Flambarda! - Ela ficou muito puta depois disso.
- EU DEVIA É TE LARGAR AÍ, SEU FILHO DA PUTA! MAS A BABACA AQUI VAI LÁ FORA DAR UM JEITO DE TE SOCORRER! EU DEVIA PEGAR AQUELA ALABARDA E ENFIAR NO CENTRO DE SEU CU!
- Eita.
- Porra. Agora fica aí que eu vou dar um jeito nessa merda!

Flambarda estava puta da vida com Rodney, mas até ela não sabia se espancava ele porque tudo dava errado quando ele estava perto ou fazia um jantar porque até agora eles tem conseguido sair das situações. Foi quando ela se tocou que esqueceu de pegar a alabarda que havia ficado no chão da plataforma. - "Caralho... Isso vai dar um problemão..." - Quando ela chegou de volta na plataforma da Saens Peña, algumas pessoas a viram e acharam muito estranho e um segurança rapidamente a abordou querendo saber o que diabos ela estava fazendo numa área de acesso restrito.

- Ei você! - Dizia ele descendo as escadas rapidamente.
- Ah! Oi! Graças a Deus você tá aqui! Eu... - E foi interrompida.
- Você vai me explicar exatamente o que você estava fazendo aí.
- Então, eu tava lutando contra forças do sobrenatural e precisei esconder o meu amigo aí dentro.
- Cê tá de sacanagem né?
- Sim. Na verdade ele tem uns problemas mentais e saiu correndo aí pra dentro, eu encontrei ele, mas não consegui tirar ele do túnel porque eu não aguento. Ele é muito gordo.
- Putz, então tem mais um cara lá dentro?
- Tem, eu vim aqui avisar vocês porque eu realmente não consigo.
- Me mostra lá.
- Vem comigo!

Ela guiou o segurança até o ponto onde ela havia largado o Rodney. O problema é que ele não estava mais lá o que acabou deixando-a em maus lençois porque quem poderia ajudá-la a sair dessa não estava mais lá.

- Então... Cadê ele? - Perguntou o guarda.
- Aquele filho da puta... Eu vou bater tanto, mas tanto, nele, que ele vai me mandar pra porra de um hospício.
- Quem vai te mandar pro hospício sou eu, minha senhora. Você vem comigo agora pra delegacia por bem ou por mal.
- Ah seu guarda, eu juro pra você, eu não sou vagabunda, não sou deliquente, sou uma mulher carente, e isso não é uma praça.
- Por bem ou por mal!? - Ele aumentou o volume da voz.
- Por bem... - Ela disse pondo as mãos atrás da cabeça.

Flambarda foi levada até a mesma delegacia onde tinha ido no outro dia falar sobre agressões não investigadas. Para a infelicidade dela, o homem que foi registrar a ocorrência com ela era o mesmo de alguns dias atrás e até a reconheceu, até porque quem é que não vai reconhecer uma mulher com esse nome?

- Quem diria, hein? - Disse o policial.
- Ô. Quem te viu e quem te vê. - Ela respondeu sem conseguir dar uma emoção definida.
- Vamo lá. Explica pro tio aqui o que aconteceu.
- Você quer a versão real ou a versão inventada.
- A inventada.
- Ah. Bom, eu tenho uns probleminhas mentais, eu de vez em quando tenho Agorafobia e eu precisava ficar num lugar mais claustrfóbico, e aquele era o lugar de mais fácil acesso.
- Agora a real.
- Eu e o Rodney enfrentamos um cara com uns poderes muito dos sinistros. A gente conseguiu matar o cara mas pra evitar uma pane geral sobre o que estava acontecendo para as pessoas normais eu saí correndo pra nos esconder e o lugar mais próximo era dentro dos túneis.
- Cara, você fuma maconha?
- Não.
- Se importa se eu olhar a sua mochila?
- De jeito nenhum. - Disse ela entregando a mochila pro policial.
- Vejamos... - Ele ia enumerando conforme pegava as coisas. - Caderno, fone, celular, identidade, maquiagem, batom, carteira... Vamos ver o que tem dentro da carteira. - Ele viu a carteirinha da SDRJ. - Nada de mais. Que mais tem nessa mochila...? Porra. Nenhum cigarrinho nem pedra?
- Minha vida já é louca o suficiente pra eu precisar me drogar, tio.
- E eu posso saber porquê?
- Pensa numa pessoa azarada. Agora pensa um pouco menos porque você deve estar pensando no Keanu Reeves. Pronto, achou eu.
- Keanu Reeves é foda mesmo. O cara só se fudeu.
- Pois é. A diferença é que a vida não me destrói pelas beiradas não. As porradas vem direto em mim.

Ficou um silêncio por um momento.

- Posso ir, tio? Eu to morrendo de dor de cabeça.
- Tá liberada. Só faz o favor de não ficar entrando em área restrita do metrô não, beleza?
- Beleza. Falowz. - Disse ela arrumando a mochila e se preparando para sair.

Exatamente como ela esperava, Rodney acabou com o seu dia. Não bastando ele estar por perto e esses bichos sempre aparecerem perto dele, o miserável ainda some quando ela precisava. Pra piorar quando estava se dirigindo a saída da delegacia ela soltou um - "Fudeu." - e desmaiou.

Flambarda acordou cerca de 2 horas depois em uma sala que parecia um quarto de um hotel exceto pela cama que era nitidamente uma cama de hospital. Tudo parecia bem limpinho e arrumado e ainda entrava o sol da tarde pela janela. Não havia ninguém na sala mas a TV estava ligada na rede globo. A cabeça ainda latejava e tornava dificil a concentração em qualquer coisa até porque ela estava procurando uma explicação praquele quarto. Curiosamente nesse ambiente havia uma quantidade maior de luzes que dançavam e elas também tinham um brilho um pouco mais intenso. Ela viu que sua mochila estava cuidadosamente colocada em um canto e foi investigá-la. Estava tudo no mesmo lugar incluindo o celular, o qual ela tentou usar para fazer alguma ligação mas a tela rachada já não era mais sensível ao seu toque. Antes que ela pudesser ver que havia um telefone no quarto, a porta se abriu a Dra. Olivia apareceu juntamente com Rain Exodus.

- Criança! Finalmente acordaste! - Disse Rain.
- Cala a boca, Rain. - Disse Olivia. Se aproximando de Flambarda. - E aí? Como você está? Que porrada com a cabeça, hein minha filha?
- Ahn, oi? - Flam respondeu meio sem saber o que estava acontecendo.
- Você tinha uma concussão na cabeça de acordo com a ressonância, mas ela já foi resolvida.
- Como é que é?
- É! Porrada na cabeça.
- Que que você andou fazendo, Flambarda? - Rain perguntou.
- Olha. Tava tudo bem até o Rodney aparecer. Afinal, vocês deviam dar um jeito nele porque sempre que ele aparece vem um bicho do capeta junto.
- Sim. Prossiga, criança. - Contador de criança: 2
- Daí veio o bicho do capeta e a gente teve que enfrentar né. O filho da puta fechou a passagem. Acho que ele me tacou no chão e eu bati a cabeça.
- Isso explca bastante coisa. - Respondeu Olivia, vendo o celular na mão da paciente - E pelo estado do seu celular provavelmente você caiu com a mochila nas costas e isso amorteceu a queda.
- Eu não sei, doutora.
- Olivia.
- Eu não sei, Olivia.eu se que eu acordei, ele e o Rodney estavam caindo no soco, e eu peguei a alabarda e taquei nele. Acertei em cheio mas o bicho virou uma poça de gosma preta. Eu espero sinceramente que ele tenha morrido.
- E deixaste a alabarda lá, criança. - Contador de criança: 3
- Sério cara. Eu tinha tanta coisa pra me preocupar que eu caguei pra alabarda.
- É, mas sua luva não, criança. - Contador de criança: 4
- Que que tem a ver a alabarda com a luva?
- Criança - Contador de criança: 5. Exodus foi interrompido em uníssono por Flambarda e Olívia.
- Pára com essa porra de criança!
- Tá. Parei. Então... a sua luva precisa da sua alabarda para se ativar.
- Cê tá dizendo que isso não vai mais pegar fogo?
- É... Isso pode ser... - E foi interrompido novamente por Flam.
- Então tá ótimo, agora eu vou poder dar sem ter que me preocupar de novo.
- Você não quer a alabarda de volta?
- Porra nenhuma, pode ficar com ela. Eu quero fazer umas ligações posso usar esse telefone aqui?
- Pode. - Respondeu Olivia. Flambarda ligou pra Fabiana.
- Alô? - Fabiana atendeu.
- Bibi! Graças a Deus!
- Flam, sua vaca. Cadê você?
- Então... eu to num hospital.
- Qual hospital?
- Qual hospital? - Ela devolveu a pergunta pra Olivia.
- Você não tá num hospital.
- Não?
- Não.
- To aonde então?
- Você está em um quarto especial da SDRJ aqui na Tijuca.
- Então, Bibi. - Flambarda voltou pro telefone. - Eu não faço a mínima idéia de onde eu estou.
- Porra, tu é foda.
- Eu desmaiei, tá bom!? Foi só eu encontrar com o Rodney que o meu dia desandou completamente.
- Que!? Eu to indo praí agora! Liga o GPS do seu celular!
- Meu celular quebrou.
- Que!?
- Bibi. Deu muita merda. Muita. Tu num tem noção, se vocês estiverem por aí a gente se encontra na estação de Saens Peña.
- Negativo! - Bradou Olivia. - Tu quer se matar é?
- Eita. Pera Bibi. Como assim?
- Flambarda você com essa luva é um alvo! Ainda mais sem a alabarda! - E Flam subitamente se lembrou das fotos na Deep Web.
- Puta que pariu...

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