sexta-feira, 1 de junho de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #20

E a mãe dos desocupados é a Internet. Não demorou 10 segundos para ela ligar o modem e entrar na internet e acessar o facebook pra ficar futucando as atualizações dos outros. Ela estava de bom humor então estava disposta a ler até artigos grandes como as manchetes da Vice que são bastante polêmcas e com bastante informação, apesar dela saber que tudo iria aparecer na Globo cerca de dois dias depois. No final das contas ia ser tudo mais ou menos a mesma coisa. A Sofia geralmente postava coisas relacionadas ao negócio dela, a Fabiana ficava falando sobre bebida e um monte de gente debatendo política sem fazê-la de fato.

Mas duas notícias específicas chamaram a atenção. A primeira foi um homem que foi encontrado em um beco extramemente ferido e com marcas de queimadura de terceiro grau bastante específicas em seus membros superiores e em sua perna direita, de acordo com a notícia ele foi encontrado jogado em uma rua do Maracanã e não demorou muito tempo para que Flambarda juntasse dois e dois e entendesse que aquele cara era o malamorfo que a atacou ontem. Ele dizia que havia sido raptada por uma maníaca que queria torturá-lo ateando fogo e que ela tinha uma luva vermelha. - "Que legal..." - Ela pensou.

Não demorou muito pra pipocar uma mensagem de Sofia.

- Oi Flam!
- Faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaala Sofia.
- Nossa. Acordou de bom humor hoje, foi? rs
- Amiga, peguei o taradão do 404.
- Mentira!
- Sério.
- Mas pegou pegou mesmo?
- Acabei com ele.
- Sério!? Qual era o tamanho.
- Não era tão grande não, mas valeu a pena.
- Então aquele charme todo era tudo palhaçada?
- Pois é. Até pra convencer ele foi difícil.
- Eu fico assustada é como você se convenceu.
- Sofia, olha a minha situação - Enter. - To a 3 meses sem fazer sexo - Enter. - Um monte de merda acontece na minha vida - Enter. - Ao mesmo tempo - Enter. - Eu fui aonde eu imaginei que fosse certo.
- A luva não atrapalhou?
- Não. Eu sentei de costas pra ele.
- Eeeee vaqueira.
- Pelo menos consegui gozar. Gastei duas camisinhas com ele.
- E tu fez ele gozar duas?
- É.
- E tua segunda?
- Não teve.
- Qual é, Flam! Tinha que cobrar.
- Eu tenho coisas mais importantes para me preocupar como isso. - Flambarda colou o link da notícia para Sofia.
- Que isso?
- Lê só.
- Caralho... - Sofia respondeu depois de uns 5 minutos. - Virou maníaca agora é? kkkkkk
- Porra Sofia! - Enter. - A gente quase morreu ontem!

Sofia não respondeu, e enquanto Flambarda esperava ela ia olhando o que mais tinha nas redes sociais. O Twitter tava bombando de reclamação da polícia e da midia que não noticiava nem investigava os casos de agressão corporal leve. Essas reclamações começaram a repercutir após o pronunciamento do cara que acusou a ruiva de maníaca. Parece que no final das contas era pra acontecer exatamente dessa forma. Ela foi lendo alguns relatos para tentar encontrar algum padrão que a levaria a quem ela estava procurando.

E ela esperava que fosse mais difícil porque a maioria das descrições era bem direta. Um cara de meia-idade um pouco mais alto devendo ter 1,80m, negão, atlético e geralmente mantia suas vitimas sob sua tutela por um tempo procurando um tal de Arapuca. As pessoas também falavam que ele as encharcava mesmo sem ter água por perto, e muitos comentários dessas histórias respondiam que as pessoas estavam loucas e que não seria possível esse tipo de coisa acontecer.

O problema é que já estava passando da hora de se arrumar para ir para a faculdade. Flambarda foi fazer tudo o que tinha que fazer rotineiramente. Fez um lanche, foi ao banheiro, tomou banho, viu no espelho de novo que tava gorda e dessa vez ainda incluiu que precisava retocar o ruivo do cabelo porque a raiz preta já tava começando a aparecer. Botou tudo o que tinha que por na mochila, incluindo batom, escova, caderno e estojo e meteu o pé pra faculdade. Conforme passava pela portaria, ela entreouviu o porteiro e o taradão do 404 conversando sobre apartamentos em outros bairros.

Flambarda andava triunfante. É como se numa bela manhã de terça-feira o mundo tivesse decidido que iria dar uma colher de chá. As pessoas que a viam na rua viam uma mulher determinada e poderosa disposta a remover do seu caminho quem se opusesse sem nem precisar fazer muito esforço. Tudo isso veio por agua abaixo quando justamente Rodney Simões a encontrou na porta da estação de metrô da Saens Peña.

- Flambarda!
- Oi Rodney! - Ela tentou ignorá-lo e ir em direção ao metrô
- Ei! Pera aí! - Mas ele tentou segurá-la.
- Me larga! - Ela disse tentando se desvilinchar e gritando pra estação inteira escutar - Eu vou chamar o segurança!
- Você precisa vir comigo! É... - Ele disse, largando-a, ao ver o segurança chegando.
- Teu cu! - Ela gritou interrompendo-o. - Vaza!
- Mas, Flam...

Ela não o respondeu. Temia que tudo aquilo que aconteceu de bom no dia dela fosse por água abaixo por causa dele. Só que ele foi atrás dela, e aí que tudo começou a desandar. Ele foi pertubando ela conforme ela esperava o metrô pra faculdade.

- Me escuta!
- Caralho! Eu vou te denunciar por assédio!
- Não grita, a gente tem coisa importante pra fazer.
- Não! Vai aparecer outro bicho querendo me matar. Sempre aparece quando você tá por perto.
- E quem é que te salvou todas essas vezes!?
- Quem é que não precisaria ser salva se você não estivesse por perto!
- Mas era eu destino enfren...
- Destino é meu pau de asa, Rodney. E olha que nem pau eu tenho! - A estação de Saens Peña subitamente ficou sem energia. - TÁ VENDO! ISSO É CULPA SUA!

As luzes de energia se acenderam, mas as pessoas começaram a sair da estação. As luzes começaram a escoar para fora da estação como se estivessem fugindo da própria escuridão. Tanto Flambarda quanto Rodney sentiam uma presença vazia muito forte, apesar de ser impossível que o vazio preencha alguma coisa. Essa presença vinha do túnel do metrô que vinha da estação Uruguai e evelava um homem caucasiano, alto, trajando uma camisa do Black Sabbath preta, calça jeans preta, corturno, de cabelão e maquiagem preta. - Filho da puta... - Flambarda xingou.

A risada malévola ecoou pela estação. Rodney no mesmo instante armou uma base de luta e Flambarda pensou em correr, mas foi pela primeira vez que ela viu uma barreira negra se formando na entrada das plataforma bloqueando a luz lentamente fazendo com que a escuridão tomasse o lugar. O desespero rapidamente tomou conta de Flambarda que fez com que a luva acendesse iluminando levemente o local similarmente a uma tocha. O homem andou lentamente na direção deles o que aumentava ainda mais a ansiedade pois ele tinha tudo na mão e não proferia uma palavra sequer, nem executava logo qualquer ação.

Mas conforme ele chegava perto, era como se a chama fosse pressionada a se apagar, o brilho foi reduzindo lentamente, até que Rodney decidiu atacar pra afastar o homem de Flam. Ele tentou um soco na boca do estômago que conectou em cheio, mas o homem não esboçou reação, como se não tivesse sentido nem dor, nem dano e simplesmente jogou Rodney para longe na parede da estação fazendo Rodney cair na plataforma lateral. Ao ver a cena de Rodney voando, Flambarda se desesperou o que fez a chama brilhar novamente, como se estivesse brigando com a escuridão e ganhasse uma injeção de energia.

Mas não era o suficiente. Aterrorizada, ela não conseguia se mover/ O ser que ela imaginava ser uma espécie de emissário da escuridão passou os dedos por sua face e cabelos, e depois os lambeu como se esivesse sentindo algum gosto que secretava pela pele dela. Ele então apertou a bunda dela e isso a fez despertar fazendo com que ela virasse e desse um empurrão nele com a mão direita. Fazendo-o recuar alguns passos, ele riu novamente de forma malévola e a luva dela apagou jogando os três na escuridão.

Flambarda sabia que o homem estava na sua frente mas não sabia o que fazer. - "Se eu tivesse uma arma... " - Ela pensou, e foi o suficiente para que ela ligasse uma coisa a outra e realizasse uma loucura. Ela lembrou que a luva, em seu sonho, havia se transformado numa arma. Ela então pensou com toda a força naquela arma. Até que ela sentiu algo que parecia um bastão nas suas mãos, foi o suficiente para que ela agarrasse e balançasse na frente dela na esperança de que conseguisse acetar o homem.

Até que ela sentiu a arma sendo tomada da sua mão e sendo jogada longe. o homem a levantou pelo pescoço. - "Porra, é sempre assim?" - E depois foi jogada no chão batendo a cabeça. O Desacordar foi instantâneo e Rodney sentiu a presença dela esmaecendo lentamente. A presença do vazio se tornou ainda mais forte e seguia em sua direção, mas a ira de Rodney, após ter se recuperado do impacto, também se inflamou e ele partiu em carga.

Rodney e o homem se socaram indefinidamente. ambos sentido os golpes, porém sem titubear apesar das razões diferentes pelas quais isso acontecia. Eles ficaram uns bons 15 minutos nessa brincadeira mas o Curador do Destino estava perdendo e foi lançado ao chão com um soco. Flambarda acordou ainda na escuridão e rapidamente se situou ao escutar o impacto e o grito de dor de Rodney. Ela então conseguu acender a chama, devido a redução da presença do seu algoz. Ela logo em seguida se levantou e foi atrás da alabarda que ela tinha uma noção de onde estava. As ações foram rápidas e ela não faz a mínima idéia de como ela saltou tão longe para pegar a Alabarda e fez um arremesso perfeito antes que o último soco pudesse ter sido desferido em Rodney.

A ponta de lança da alabarda perfurou as costas do cara. A luz era muito fraca mas era possível ver a arma cravada no corpo. Ela se aproximou lentamente pois estava cansada e viu uma poça de sangue negro no chão. O próprio homem aos poucos se tornava parte da mesma poça e a barreira começava a se desfazer. Flambarda não sabia o que fazer, então apenas pegou Rodney e correu para dentro dos tuneis, antes que eles pudessem ser vistos pelas primeiras pessoas que desciam logo após a eletricidade ter sido restaurada na estação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário