quarta-feira, 2 de maio de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #5

O Salão parecia mais uma igreja. Um altar bem decorado com uma estátua gigante de uma criatura encapuçada no final. A criatura encapuçada também tinha um katar na mão direita, o que tornava tudo muito mais mórbido ali. Tudo era bem iluminado por luz elétrica mesmo com umas lampadas fluorescentes bem parrudas, e também era possível ver que haviam dois ar condicionados splits ligados na temperatura mínima.

E o cara que estava lá parecia um cara que se misturaria no meio de qualquer multidão, a menos da barba um pouco mais espessa, mas o tênis era Mizuno, a bermuda cargo verde musgo e a camisa regata preta. Além do tênis, nada com uma marca exposta, como se tivesse sido costurado por alguma pessoa. Ele se aproximou lentamente de Flambarda o que a deixou um bocado nervosa, nervosismo esse que foi acentuado pelo lugar e acabou manifestando as chamas da luva.

- Ora ora. Então ela realmente tem um Luvetal.
- Bom, esse era o meu destino não era? - Reclamou Rodney.
- Sim, Rodney. Agora precisamos que ela cumpra o destino dela.
- Ah claro. Ninguém pergunta pra Flambarda se ela quer fazer isso... Muito bem senhores. - Ela bateu palmas sem medo de queimar as mãos, afinal já não havia se queimado esse tempo todo.

O homem reparou nesse gesto. Fez uma pausa e entrelaçou os dedos como se fosse assumir uma postura pensativa. Sentou atrás do altar e colocando as mãos sobre a boca começou o seu discurso.

- Você tem noção do poder que tem em mãos, criança?
- Eu não faço idéia.
- Você tem um Luvetal. Uma das criaturas mágicas mais poderosas de todos os tempos.
- Grandes merda...
- Sim. Grandissíssima! Se ele cair em mãos erradas, a luta para evitar a destruição do mundo ficará ainda mais complicada!
- Que? Como assim? - Aos poucos as chamas iam se apagando conforme o espirito dela se acalmava.
- Não queremos que você cumpra seu destino. Apenas que não escolha o lado errado.
- Que porra é essa? Eu to numa briga de bem contra o mal agora?
- Exatamente.
- E como eu saio dela?
- Você não tem como sair.
- Ta de sacanagem?
- Não, criança. Você precisa aprender a utilizar seu Luvetal antes que seja tarde demais.
- E como eu vou fazer isso!? Eu nem quero isso!
- Você já está no nosso mundo, criança. Agora só precisa fazer as coisas certas.
- E você já está ficando um pouco repetitivo...
- É que eu nunca fui muito bom nesses discursos. - Ele liberou os dedos e mudou completamente o tom da voz. - Veja bem, nós estamos lhe oferecendo para atuar como detetive elemental para a SDRJ.
- Tá, e aquele papo de bem contra o mal?
- Sim, isso ainda existe mas não e assim que funciona. Você precisa investigar e resolver problemas relacionado ao equilíbrio dos elementos no mundo. Nós já tentamos fazê-lo, mas ter alguém com um luvetal seria realmente útil.
- Vocês são doidos!? Eu não posso andar por aí com uma luva pegando fogo tentando desvendar mistérios que provavelmente não existem!
- Na verdade pode sim. Nós já sabemos seu nome e já temos a impressão do seu espírito, então podemos fazer isto.

O homem pegou um cartão de dentro de uma gaveta que era embutida no altar e o colocou sobre o mesmo. Ele recitou algumas palavras mágicas e Flambarda pode ver raios de luz multicoloridos fazendo curvas pela sala que saíram dela. Ela tentou acompanhar mas era rápido demais e também haviam muitas luzes. Todas elas culminaram no cartão onde havia apenas seu nome e a inscrição "Detetive Elemental".

- Você tá de sacanagem não tá?
- Não. Isso certamente vai evitar que você seja presa se começar a pegar fogo por aí.
- E como você tem tanta certeza?
- Eu lhe peço que você venha aqui amanhã e tudo irá se esclarecer.
- Então eu já posso ir pra casa?
- Pode.

Flambarda não quis nem saber. Partiu em disparada para fora dali desesperada, mas antes que ela pudesse sair a voz do homem ecoou pela sala, paralisando-a.

- Rodney é o curador do destino e ele irá auxiliá-la em suas jornadas daqui pra frente. Trate-o bem.

Após dizer isso, o corpo dela voltou ao normal, e ela voltou a seu objetivo, ela só queria sair dali o mais rápido possível e ir dormir. Isso tudo demorou mais tempo do que ela esperava. e as 16:00 ela já estava de volta na rua, mas com uma perspectiva completamente diferente do que ela tinha do mundo. Ela conseguia enxergar padrões luminosos se movendo lentamente por tudo e por todos. Ela não tentou descobrir porquê nem quando. Apenas queria volta para casa e dormir.

Chegando em casa, e ignorando completamente as perguntas da sua mãe, a qual ela observou que as luzes se moviam em um padrão turvo e conturbado, Ela não fez questão de ligar nem para Fabiana nem para Sofia. Simplesmente se deitou e dormiu esperando que tudo sso fosse um pesadelo e acabasse assim que ela acordasse.

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