terça-feira, 1 de maio de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #4

Flambarda sabia que tinha pouco tempo devido a fuligem que já estava cobrindo o lugar, mas jogou o homem no chão apontou o punho com a luva para ele, apesar de não ter chama nenhuma e o puxou pela gola.

- Quem é você? Responda rápido se quiser ter alguma chance de sobreviver.
- Eu sou Rodney. Eu sou da Sociedade Druídica do Rio de Janeiro. Por favor me salve! - Ele dizia desesperado.
- E como sabe meu nome!?
- Eu descobri em um dos rituais da sociedade! Me desculpa, não foi minha intenção! Me tira daqui que eu te explico tudo!
- É bom explicar mesmo. Cubra a sua cara com a camisa e vamos embora.

Ela o ajudou a levantar novamente e foi carregando-o para fora. Nisso o seu celular já estava tocando, mas ela não parou pra atender pois precisava sair daquela ambiente antes de fazer qualquer coisa. Não demorou muito para eles chegarem na plataforma da Estácio, onde um pequeno grupo de pessoas se formava e rumava para fora da estação. Os bombeiros já estavam no local pouco depois do ocorrido, e outros funcionários do Metrô Rio estavam lá para ressarcir pessoas.

Já o celular de Flambarda não parava de tocar, era Fabiana que ligava desesperada vendo o noticiário da televisão do buteco que tinha do lado da unversidade. Já era a 5a. ligação.

- Alô Bibi?
- CARALHO, FLAM! QUER MATAR A GENTE DO CORAÇÃO!?
- Não, Bibi! Eu tô bem! O Vagão só descarrilou e explodiu!
- COMO ASSIM SÓ DESCARRILOU E EXPLODIU!? - Fabiana colocava o telefone na melhor posição para Flamabarda tirou o telefone de perto do ouvido e mesmo assim escutava nitidamente.
- É! Mas eu já tava fora do vagão quando explodiu então eu tô legal.
- EU TO MORRENDO DE PREOCUPAÇÃO E VOCÊ FICA ME TRATANDO DESSE JEITO!?
- Eu sei, Bibi! Mas quem quase morreu fui eu e eu não tô desesperada desse jeito.
- Ligasse pra me dar um sinal de vida! Cacete! Só ligou pra Sofia! - Fabiana falou notóriamente enciumada.
- Oh, querida. Não fica com ciúme não, cuti cuti de mamãe. - e Flambarda provocava.
- Flam, tudo isso que você me falou eu to vendo na televisão. Eu já to dando graças a Deus que você tá bem.
- Eu vou demorar pra chegar porque eu não faço a mínima idéia como eu chego aí da Estácio.
- Deve ter ônibus até o centro, não tem não?
- Vou descobrir aqui, se eu não conseguir chegar na faculdade eu te ligo e aí você avisa a Sofia, tá?
- Tá bom.
- Beijunda, querida. Tchau!
- Beijunda! Tchau!

Assim que ela desligou o celular, viu que Rodney, o condutor estava atrás dela. O que era bastante estranho, já que ele, como funcionário do Metrô Rio, deveria estar também auxiliando as pessoas, acalmando a situação e etc. Mas também era bastante conveniente já que ela queria perguntar muitas coisas a ele. Ela falava olhando para a rua, pensando em como ia sair dali.

- E como eu chego no centro, Rodney?
- Só pegar um metrô. - Isso gerou a olhada de rabo de olho mais épica que Flambarda já conseguira na vida.
- Eu devia te dar um daqueles socos pegando fogo por causa isso...
- Ei. Desculpa se é o único jeito que eu sei. Eu particularmente esperaria a companhia resolver e pegaria o próximo trem.
- E você vai continuar ignorando esse rádio aí? - O rádio de Rodney não parava de apitar com várias pessoas falando e até tentando falar com ele.
- Não, tenho coisas mais importantes a fazer, como te levar até uma das filiais do SDRJ.
- Essa coisa tem filial?
- Rapaz, a SDRJ é muito maior do que você poderia imaginar.
- E porque ninguém nunca ouviu falar disso?
- Eu não sei como, mas eles sempre dão um jeito de ocultar qualquer influência da SDRJ. Ou de qualquer outra sociedade druídica.
- Peraí, tem mais!? - E então ela olhou para ele.
- Tem sim. - Ele virou para ela em resposta. - Tem a SDSP, SDMG, SD... - E foi interrompido.
- Tá! Tá! Já entendi! - E como diabos você sabia que eu ia estar naquele metrô.
- Mas eu não sabia.
- Tu sabe meu nome e não sabia que eu tava lá? Conta outra, vai!
- Não! É sério! Foi o destino!
- E você acha que eu acredito nessa baboseira!?
- Deveria acreditar pois graças a ele estamos aqui!
- Sinceramente Rodney. - Ela se virou novamente para a rua. - Destino é meu pau de asa.
- É um pouco pior, dona Flam...
- O que?!
- Eu realmente preciso te levar a filial até pra que eu não perca o emprego.
- Você não perderia o emprego se estivesse lá embaixo fazendo o que tinha que fazer!
- Flam...
- Sinceramente, eu nem sei porque eu to gastando meu tempo com você. Eu vou é falar com o homem da banca ali e ele vai me dizer o que eu tenho que fazer.
- Por favor, Flam! Venha comigo até a Saens Peña! Eu te levo na filial do SDRJ lá. - Foi um golpe de sorte. Flambarda não queria mesmo ir pra faculdade depois disso tudo.
- Tá bom. Vamo lá.

Eles fizeram um viagem particularmente silenciosa até a estação da Saens Peña, até porque o outro lado da linha que ia para Uruguai ainda estava funcionando normalmente. Quando estavam chegando na estação da Saens Peña, ela pegou o celular e começou a ligar para a Bibi. Foi quase no primeiro toque da ligação que ela atendeu.

- Oi, Flam!
- Oi, Bibi! Escuta eu não vou pra aula hoje não.
- Não conseguiu descobrir como chegar aqui?
- Não é nem isso é que... - E nesse momento Rodney tomou o telefone ela.
- É que ela não está muito boa depois de respirar fuligem e está retornando para casa. - Em seguida ele falou para Flambarda. - Você não pode falar que está indo para a SDRJ!
- Que? Quem é você? - Veio a resposta de Fabiana, mas nesse meio tempo Flambarda pegou o telefone de volta.
- Não! Eu encontrei um... - Daí ele pegou o celular de novo. Nisso eles estavam saindo do trem.
- Ela me encontrou e felizmente eu sou médico. - Mas Flambarda reobteve.
- Bibi, esse cara ta só falando merda. - Ela se virou e falou para ele. - Deixa que eu resolvo isso então.
- Então voltou para o telefone. - Ele é um ex peguete meu. Calhou de estar no mesmo trem que eu e está me levado pra casa porque eu realmente não quero ir pra faculdade não. Já tive bastante aventura por hoje.
- Ah. Agora sim. Quase liguei pro 190 aqui.
- Beijo, amiga. Eu vou é dormir agora até amanhã.
- Tchau, miga.
- Tchau. - E então ela se virou para Rodney. Enquanto subiam as escadas. - Você não falou que o SDRJ sempre dava um jeito?
- É, mas eles sempre pedem pra evitar a dor de cabeça.
- Francamente....

Eles foram quase em silêncio o resto da jornada, apenas com ele indicando direções. Apesar de não ser muito longe, pois era dentro da biblioteca popular da Tijuca. Eles entraram e Rodney puxou da carteira um papel plastificado. A bibliotecária prontamente entendeu e pediu para que eles a seguissem até um canto pouco visitado, Rodney aproveitou para soltar um "Hail Hydra" baixinho para que Flambarda pudesse escutar, mas ela provavelmente não captou a referência.

No cantinho havia um alçapão disfarçado. A bibliotecária pegou um pé cabra que havia jogado no canto especificamente para isso e o abriu, revelando uma escada escura. Em seguida ela foi até a estante mais próxima e parece que achou um interruptor pois ela foi capaz de acender as luzes da escada. Era possível ver que o corredor não era trabalhado, pois as paredes eram completamente irregulares. Rodney seguiu primeiro, e Flam seguiu logo atrás, com um medo súbito de que iriam sedá-la e arrancar seu rim fora. Tudo isso apenas para encontrar um outro homem vestido como uma pessoa normal, porém em um salão nem um pouco convencional.

...

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