segunda-feira, 28 de maio de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #18

Flambarda acabara de descobrir que estava sendo vigiada esse tempo todo, e parece que ela teria que recorrer justamente a quem ela não queria. Fabiana ficava pensando o que ela ia fazer para proteger a amiga porque ela já havia visto o sobrenatural antes, mas como ela poderia pedir proteção a polícia? Ela pediu que Shou organizasse as fotos pra ela apresentar como evidência de que sua amiga estava em perigo, mesmo sem saber se ia conseguir qualquer coisa.

Ja estava ficando tarde e elas precisavam sair. A mãe de Flam já até havia ligado pra ela pois ela se esqueceu de avisar que estava indo na casa do Japa. A ligação foi breve até porque ela ja estava de saída. Ja a tia deu pra elas de graça um pastel com coca-cola porque é uma sacanagem do filho dela deixar as duas damas de barriga vazia, Flambarda havia reparado mas preferiu não comentar o nervosismo das luzes do Japa. Bibi sabia de algo, mas como o celular dele já estava em sua posse, provavelmente havia algo mais.

As ruas daquela área ficavam desertas mesmo a noite então elas pegaram a rua Ibituruna na esperança de ter gente saindo ainda do campus da UVA do maracanã, mas não conseguiram nem tempo disso, pois Flambarda já estava sentindo que alguma coisa ia acontecer antes pois havia um ponto de fuga de luzes, ali perto.

- Bibi, se prepara.
- Por que?
- Tem alguma coisa se aproximando. - Ela estava tentando lembrar que outra criatura apresentava esse ponto de fuga de luzes.
- Porra, esses bichos tão te perseguindo agora?
- Pois é. So me fodo.
- E dessa vez vai me fuder junto né?
- Eu lá tenho culpa!?
- Porra vai ficar pegando luva do chão!?
- A luva era maneira!
- Isso eu tenho que concordar.
- Agora pera. - Flambarda parou e começou a concentrar energia. - Foco... Foco... - E conseguiu acender a luva.
- Caralho, Flam!
- Eu aprendi a acender essa luva, e provavelmente é a única chance que a gente tem.
- Me diz pelo menos de onde esta porra vem.
- Dali. - Flambarda apontou pra frente. E lá estava o malamorfo, pronto para atacá-la. - Ah. Agora lembrei de onde vi isso. - Ela falou pra si mesma, desapontada.
- E agora, o que a gente faz!? - Bibi estava desesperada. Flambarda também, mas Bibi certamente estava mais.
- Corre Bibi. - O malamorfo já estava correndo se preparando para atacar.
- Que!?
- CORRE, PORRA! - Ela até tentou mas Fabiana ficou meio que paralisada.

Flambarda não sabia lutar. Ela armou uma guarda do Paul, personagem do Tekken, mas estava muito tronxa. Ela so conseguia pensar que precisava acertar o soco mais forte que conseguisse usando a mão direita. O Malamorfo saltou como um animal selvagem para subjugá-la e ela no desespero, esqueceu tudo e simplesmente levantou as mãos na esperança de parar o ataque. Curiosamente funcionou, pois ela segurou a criatura sendo arrastada um passo pra trás mas mantendo a criatura longe devido a sua envergadura. Ele cambaleou em seguida sentindo a chama da luva queimando a sua pele e deu um urro de dor. O desespero dela amplificava a chama num nivel muito grande.

A base dela mudou completamente para algo mais parecido com o Sumô. Já seu algoz a circulava como um predador pensando como vai atacar a sua presa. Só que ela o surpreendeu quando deu o ataque com a palma da mão, ele defendeu instintivamente mas ainda assim recebeu um dano interno. Ele estava começando a se mexer mais devagar o que a instigou a atacar. A segunda palmada foi defendida da mesma forma mas a terceira foi em vão pois ele a defletiu e a derrubou no chão montando sobre ela. Seria o fim se ela não fosse a protagonista e Fabiana tivesse realmente corrido.

Bibi veio de longe e deu o chute mais forte que conseguiu no Malamorfo fazendo com que ele esboçasse alguma reação de dor e se virasse muito puto pra cima dela, só que Flambarda segurou a perna dele com toda a força que tinha e usando a mão direita e ela colocou ainda mais energia quando viu que sua amiga estava em perigo e logo a perna direita do malamorfo estava inutilizada. Ele se virou para Flambarda como quem quisesse se vingar pegando ela pelo cabelo para bater a cabeça dela no chão, mas Flambarda segurou e queimou o braço direito dele dessa forma. Ele até tentou usar o outro braço mas também teve o mesmo desfecho. Flambarda empurrou o malamorfo que caiu no chão emitindo um grunhido que parecia uma porta rangendo.

"Merda. Cadê o Rodney quando a gente precisa dele?" - Ela não sabia o que fazer com o Malamorfo que se retorcia de dor em um movimento de fuga. A criatura parecia ter algum instinto de sobrevivência afinal. Ela a deixou fugir porque não sabia como Rodney fazia aquilo, e não sabia o que mais a criatura era capaz de fazer, então preferiu desativar a luva e correr com Bibi.

- Dá pra correr agora, sua vaca?
- O, se eu der depois de correr vai ficar bom. - Ela falou disparando.

Por alguma razão elas corriam de uma forma muito desengonçada. É quase como se ninguém ensinasse as mulheres a correr direito quando elas são pequenas, porque mesmo fazendo academia, na hora do aperto, sai tudo meio torto. Ainda assim chegaram o mais rápido que puderam no metrô pra poder voltar pra casa. Ainda tinha a parte chata de ter que ir até a Central e voltar, mas pelo menos ela sabia que a criatura estava longe pois aquele ponto de divegência de luzes não veio atrás delas.

- Caralho! Que porra foi essa, Flam!? - Bibi falou arfando.
- Aquilo era um malamorfo... - Flam também arfava.
- E você fala isso com uma naturalidade...
- É porque eu tenho que parar...
- Pra respirar?
- É.
- E agora? - O ritmo das duas já melhorava conforme elas passavam na catraca.
- Agora a gente liga pra Sofia. - Flambarda sacava o celular já para ligar pra amiga. A estação estava quase deserta então ela ligou no viva-voz para que as três pudessem conversar juntas.
- Oi Flam!
- Fala gostosa. - Disse Bibi.
- Uai? Bibi?
- Você tá no viva-voz, Sofia. - Flambarda explicou.
- Caralho, Sofia! Você tem que ver o que a Flambarda faz! - Fabiana emendou
- O que!? - Sofia perguntou.
- Porra, ela consegue fazer a luva dela pegar fogo.
- Ela já não fazia isso?
- Agora ela controla, viado!
- Caralho, que foda!
- E ela bateu num bicho feio.
- Nani? - Sim, ela fez a expressão em japonês.
- Porra, veio um bicho que parecia monstro de filme de terror, ta ligado? Mas aí a Flam enfiou fogo no cu de bicho. - Elas falavam enquanto entravam no metrô que também estava relativamente vazio.
- Pera. Como assim?
- Ela só esqueceu de contar a parte que a gente quase morreu porque o bicho a me comer viva.
- Que!? Porra! Vocês tão indo muito rápido! Não to entendo porra nenhuma!
- Tá. Vamo "da capo". A gente foi lá na casa do Japa e ele realmente fez as buscas pra gente.
- Porra, e aí? Descobriram alguma coisa?
- Descobrmos é que eu to fudida.
- Hmmmmmm... Se deu bem, hein, gatona?
- Porra, queria eu que fosse no bom sentido!
- Como assim?
- Sofia, tem alguém me seguindo e tirando foto minha e botando na internet.
- Tá de zoa?
- To não.
- Caralho...
- É! Eu pedi pro Japa juntar aquilo pra eu entregar pra polícia, vai que a gente consegue alguma coisa. - Disse Fabiana.
- Bem penaado, Bibi. Você tá com as fotos aí?
- Tá tudo no meu e-mail.
- Manda pra mim.
- Pera. - Bibi prontamente pegou o celular pra enviar.
- E o que mais?
- Bom, a gente sabe que tem mais gente que conhece esse mundo novo que eu entrei e que tem dois grupos atrás de mim. - Flambarda prosseguiu.
- Caralho, então você tá sendo seguida?
- É, mas eu desconfio que um desses grupos na verdade é a SDRJ.
- E que porra é essa?
- Sociedade Druídica do Rio de Janeiro.
- Pera. Druida, igual aqueles de RPG?
- Acho que sim. Nunca tive chance de jogar muito RPG.
- Caralho, Flam! Você tem que me levar lá!
- Ei! Eu também quero ir! - Fabiana protestou.
- É! Leva a gente, Flam!
- Caralho, cês fumaram o que!? - Flambarda perguntou, indignada.
- A gente já vive com você!
- É! A gente ja convive com você, sua puta! - Bibi também estava indignada.
- Caralho... Depois não vão dizer que eu não avisei....

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