segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Sobre Beleza e Valores e Nós Mesmes

 Acho que todo mundo já leu em algum lugar que "evidências da psicologia mostram que nós nos achamos mais bonites do que realmente somos." Por um momento eu até achei que era verdade, e que a gente se acha isso tudo mesmo, mas eu nunca me achei isso tudo quando eu mesme me olhava no espelho. Eu olho pra maioria das pessoas que estão a minha volta reclamando do quanto elas não gostam de alguma coisa de seus corpos ou de suas aparências e de como elas conseguem apreciar muito mais quem está por perto do que apreciam a si, e essas coisas nunca bateram, mas talvez fosse o meu grupo. Só que hoje eu resolvi desafiar: "Será que a gente realmente acha que a gente é tão bele assim?"


Eu acho que eu leio isso antes de 2013 mas a fonte mais fácil que eu consegui encontrar foi essa que tem uma metodologia pra lá de questionável. Outras metodologias de pesquisa mostram que outras pessoas nos enxergam como se fossem muito mais belas daquilo que a gente realmente acha. Só que beleza é uma coisa bastante subjetiva, apesar de ser, em certa medida, construída. A nossa noção de beleza está muito ligada ao eurocentrismo porque é exatamente isso que é retratado na maioria das mídias como aquilo que é atraente ao protagonista homem. A padronização do aceitável, ou atrativo, também aparece com diversos outros temas da sociedade como também as idéias políticas que devem ser mais aceitas.

Só que, algumas coisas me deixam com a pulga atrás da orelha. A gente sabe que em caso de despressurização no avião, a máscara de gás vai primeiro na gente, e depois em quem estiver do seu lado. A razão é direta: Se você não estiver em boas condições, você não vai conseguir ajudar quem estiver perto. Isso é válido para outras coisas da vida. Não dá pra dar esmola se você não tem dinheiro sobressalente para tal. O papo da máscara de gás funciona até se a pessoa ao seu lado for mais desenrolada que você, porque, se for o caso, ela vai colocar a máscara dela primeiro e você nem vai precisar se preocupar com isso. Ainda assim a gente se desdobra pra dar um jeito de ajudar quem precisa.

Eu tenho duas hipóteses e ambas vão aparecer na sequência, mas você vai cair no bait?

domingo, 29 de setembro de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #81

Quando Flambarda subiu as escadas para entrar na estação de metrô de Vicente de Carvalho, tudo parecia normal. Além da chamada aleatória de Fernanda, que ela precisa responder, tudo parecia extremamente rotineiro. Ela já teve alguns dias normais, mas eram cada dia menos frequentes. Talvez fosse hoje um dia para descansar. Ao mesmo tempo, ela se perguntava se isso não seria apenas aquele ponto de save antes do boss e que o mundo estava preparando alguma coisa pra jogar de volta nela, só que, pela experiência dela, quando esse tipo de coisa acontece tem alguma doidera com essas benditas luzes que passeiam pra lá e pra cá. Naturalmente, ela ainda não tem bola de cristal e não consegue saber se amanhã as entidades estarão a fim de comer seu cu com farofa ou não.

Mas ela ainda tinha dúvidas, que ela planejava tirar com Sofia e sabe-se lá a quem mais ela poderia perguntar. Esse papo de elemento ta começando a fazer algum sentido e isso a incomodava um pouco. A vida era tão mais fácil quando era só beijar na boca e pagar boleto, e olha que ela nem pagava tudo quanto era boleto ainda! Se alguém sabia como essas coisas deviam funcionar seria ela, que tinha um caralho de uma apostila sobre isso. Parece que desde que ela pegou essa bendita dessa luva, sua amiga resolveu entender a fundo. Era interessante ter Fabiana e Sofia por perto. Elas forneciam apoio emocional e racional, o problema é que era difícil saber quem usava mais a cabeça e quem usava mais o coração, não que isso fosse realmente importante.

Ela deu uma certa sorte, porque o metrô não tardou muito a chegar na estação logo após sua breve epifania. O trem estava relativamente vazio. Haviam poucas pessoas no vagão, e como toda boa usuária de transporte público a primeira coisa é tentar entender porque diabos essa dádiva dos céus está acontecendo, ainda mais depois da sorte de não ter que ficar esperando o trem. Ao pegar o celular pra tentar pesquisar alguma notícia, ela escutou oa mensagem do alto-falante:

"Olá passageiros aqui é o condutor Rodney..."

sábado, 7 de setembro de 2024

Memes não São Ingênuos

Eu tenho dito cada vez mais que a gente tem que olhar pras coisas com senso crítico e tem muitas camadas a respeito disso e das obras com as quais a gente entra em contato ao longo da vida. Enquanto existem obras que o conteúdo está em certa medida escondido atrás da forma, tais quais a sátira presente no Homelander de The Boys, ou tal qual o aspecto fascista do Capitão Nascimento de Tropa de Elite, mas também para olhar que as pessoas as vezes não querem enxergar além dessa forma que é a razão pela qual essas criaturas fazem sucesso. Isso é um problema grande, um problema bem grande, porque ao mesmo tempo que se normaliza a imagem de fascista nas telas, auxilia os fascistas a se identificarem conforme concordam e brigam pelo espaço dessas figuras na cultura popular.

Dessa vez não tem imagemzinha porque esse mesmo caráter vai aparecer nos memes da internet. Que já é um relaxamento de conceito porque para que uma obra seja considerada um meme, ela precisa ser replicada. Se você acha que eu to falando besteira, não precisa ir muito longe, você pode pegar a definição superficial da própria Wikipedia. Só que hoje em dia, qualquer imagem com cunho levemente humorístico é chamada de meme. Na verdade, o termo no Brasil evoluiu de tal modo que meme é um sinônimo pra piada. É de se perguntar se saber a origem da palavra é importante, e eu diria que é pra que se compreenda o processo histórico que faz com que o significado da palavra mude. Se hoje a palavra Meme é um sinônimo pra piada, uma das razões que eu aponto como mais provável é que aquilo que se profilerou e continua se proliferando na internet é chamado de piada, apesar da repetição da obra não se dar por causa do humor. Veja que os humoristas de stand up fazem diversas piadas e nenhuma delas de fato é reproduzida pelas pessoas na internet.

Compreender os fenômenos que fazem um meme viralizar são importantes para as pessoas que fazem marketing para que elas possam produzir campanhas que tenham grande alcance. Se a campanha de marketing é replicada pelas pessoas ao longo das redes, a mensagem dessa equipe de marketing vai chegar bem longe. Repare bem na palavra que eu destaquei. Memes não são peças ingênuas que não tem propósito algum. Da mesma forma como eu falei de comunicação anteriormente, uma pessoa que se comunica ela tem o propósito de passar a sua mensagem, e em geral ela fala mais de si do que de qualquer outra coisa, por mais que essa mensagem possa ser muito útil para quem recebe, ela também expressa o desejo de ajudar de quem a envia. Um meme carrega uma mensagem e uma série de códigos que vão se replicar e ser compartilhados ao longo das redes. Se você fica espalhando meme do Homelander que é uma figura fascista, qual valor você está espalhando e normalizando?

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

A Ciência Básica não é a Base da Ciência

Pronto, achei uma frase de efeito chique pra falar de efeito Dunning-Kruger. Acho que a essas alturas todo mundo sabe o que isso aqui significa, não? Em palavras mais simples é: Quanto mais a gente sabe de alguma coisa, mais a gente sabe que a gente tá longe de saber alguma coisa.


Eu vou tentar trazer isso para uma perspectiva de desenvolvimento do conhecimento científico e sobre coisas curiosas que acontecem. O texto anterior me levou a fazer esse gancho que eu achei extremamente pertinente só que eu achei que ia tornar a postagem anterior grande demais, e talvez fosse levar muito pra fora daquilo que eu tava tentando discutir, que era o conceito de verdade. Aqui o nosso objetivo é falar sobre coisas que a ciência tenta responder e como ela faz isso. Teve um podcast recente dos 3 Elementos que o Carlos Ruas fez uma analogia com uma estrada. Talvez seja o caso, mas eu gosto de imaginar a ciência como uma estrutura mais de dependência. A minha mente de cientista da computação só consegue pensar em grafos, e talvez a estrada não seja tão ruim.

Qual é a pegada, a pegada é que a gente aprende e desenvolve a ciência de uma forma intuitiva porque é difícil imaginar todas as possibilidades que poderiam gerar determinados resultados. Numa idéia de: "Se eu jogo essa maçã pra cima, ela cai, então se eu jogar essa amendoa pra cima ela também deve cair." Isso se verifica, e até se verifica que uma folha cai, mas isso não é o suficiente para explicar porque a folha cai da macieira mais devagar do que a maçã. Ingênuamente considerariamos que a massa do objeto é o que faz diferença e intuitivamente faz até algum sentido, mas aí não explica porque se você coloca a folha em cima da maçã você acelera o tempo de queda da folha em muito.

Talvez a gente já saiba, mas talvez os pequenos ainda não saibam.

domingo, 25 de agosto de 2024

Conflito entre Verdade e Sobrevivência

Recentemente eu andei escutando bastante o Pedro Ivo do AteuInforma. Apesar de eu não concordar com tudo o que ele fala, o jeito que ele fala sobre filosofia é até mais interessante do que o jeito que ele fala sobre história. Recentemente ele entrou em um ódio acerca do conceito de filosofia pós-moderna que é realmente um conceito complicado de se lidar especialmente quando esse tipo de filosofia esvazia o conceito de verdade colocando ela em cheque contra a perspectiva plural das pessoas.


O que o Pedro Ivo luta, e aqui eu concordo com ele, é que a gente tem que brigar por descobrir pelo menos alguma verdade. Não pode ficar tudo numa questão de narrativa, mesmo em ciências humanas onde as coisas estão ligadas muito por uma questão de perspectiva, e é difícil obter qualquer evidência para que se produza alguma forma de ciência. Se isso é difícil em História onde você de fato tem alguma evidência empírica mais concreta tal qual um artefato ou um documento, imagine para outras como a Sociologia onde a evidência que você tem é baseada no comportamento humano e as causas são quase impossíveis de serem tratadas porque não existe um leitor de intenção (ainda).

E esse vídeo aí nem foi o último que eu vi, o que ele postou. Eu coloquei aí porque é mais um daqueles importantes onde ele bate em pós-moderno.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #80

 Flambarda ligou para Fabiana conforme se aproximava, demorou um pouco mas ela atendeu.

- Oi Flam!
- To chegando, Bibi!
- Ah! Eu vou aí embaixo te buscar!
- Não precisa.
- Ah, precisa, sim! É sempre bom estar acompanhada!
- Então vem logo, porque eu to quase aí!
- Puta merda! Já to chegando!

Bibi desligou com pressa, e a jovem detetive riu consigo mesma. Ela já tinha ido a casa da amiga antes, só não era tão frequente. As ruas pareciam relativamente desertas os elementos ao redor não pareciam ter qualquer pertubação, apesar de uma certa predominância de elementos azuis e brancos, mas em si, Flambarda via muito mais elementos verdes e vermelhos. Ela estava tentando lembrar sobre tudo o que leu acerca das filosofias chinesas até então. Se fosse verdade, essas luzes que passam por ela são indícios de ímpeto e de movimento, mas é claro que ficava faltando o que isso significava porque ela não sentia em si nenhum ímpeto nem qualquer vontade de movimentação. Pra que correr? Onde estava o impulso? Eram perguntas que ela se fazia no caminho.

Flambarda foi capaz de ver Fabiana abrindo os portões, pois já estava na calçada em frente ao edifício. Ela estava com um top e um shortinho e naturalmente estava estranhando bastante aquela criatura que parecia que andava de uniforme. Não que ela não estivesse quase sempre de top e short, mas a calça jeans no calor realmente não ajuda uma viva alma. Especialmente no calor do Rio de Janeiro. O abraço foi intenso, com direito a mais típica demonstração de carinho de duas amigas de longa data.

domingo, 28 de julho de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #79

- Vem cá, sua piranha. - Disse Flambarda para Fernanda. - Você não é pica pra caralho?
- Depende do que você chama de pica.
- Eu vi você brigando com o Rain. Não mete essa.
- Ah. Você diz que eu sei bater?
- Você é forte pra caralho. Você pode ir e vir do jeito que quiser, e mesmo assim fala pra eu ir lá.
- Bom, é porque a gente ainda é humana. Aguenta até um pouco mais, mas se a gente levar um tiro morre do mesmo jeito.
- E quem é que vai te dar um tiro?
- O Entrenós.
- Que!? E você quer que eu vá lá?
- É... bem...
- Pau no seu cu, Fernanda! Esse filho da puta podia me matar esse tempo todo e você brincando de detetive!? Porra, nem os chefes da minha mãe falaram pra ela ir pro trabalho quando o tiro tava comendo! - Ela disse se levantando. - Não! Chega dessa porra! Pelo menos quando eu era Druida o Rain não me colocava na linha de tiro! - Ela bateu na mesa e começou a sair.
- Eu falei que ela era difícil... - Disse Japa.

Flambarda estava puta da vida. Ela lembrou dos golpes que o Entrenós desferiu. Aquilo doeu, e começa a fazer algum sentido. Socar uma parede não doía tanto, mas os golpes mais sobrenaturais que recebeu realmente machucaram. A investigação era perigosa, e sua raiva era ainda maior porque em nenhum momento isso foi dito. Ela ainda estava relutante em recusar porque dentro de si, ela sabia de sua importância e que havia também um risco em deixar aquele cara fazer o que quer que estava fazendo, se é que Fernanda estava de fato falando a verdade. Imaginar que ela podia ser uma detetive também gerava uma certa paranóia na própria cabeça.