terça-feira, 2 de abril de 2024

Uma Homenagem aos Hiatos

As vezes a gente fica muito tempo sem fazer alguma coisa e acaba abandonando. Tudo bem, podia ser uma coisa que realmente não valesse a pena ser feita, mas as vezes a gente volta àquilo porque pra gente é importante, e talvez a gente não consiga manter a frequência que a gente gostaria de manter naquela atividade só que a gente não deve deixar de fazê-la por causa disso. Que se dane a frequência. Se você precisava de um tempo pra construir uma ponte pra que você pudesse continuar, tá tudo bem.

 


Essa imagem eu fiz no paint 5 minutos antes de continuar o texto, então pode fazer o que quiser com ela.

Em palavras mais curtas: "Não sinta vergonha dos seus hiatos." E na sequência eu vou explicar porquê.

sábado, 23 de março de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #73

- Sabe. Acho que no final das contas é uma lição pra gente aprender a não pegar qualquer coisa do chão. - Disse Flambarda, sentando-se em uma das cadeiras de um vagão quase vazio.
- Ou de que não dá pra lutar contra o destino? - Indagou Fabiana.
- Bom, quando o destino da gente tá sendo escrito por outra mão, realmente é difícil. - Sofia concluiu.

Não tinha muito o que dizer após o fim de assunto dado pela jovem exótica. Talvez se as outras duas lessem mais, porém não era a fonte principal de cultura delas, então ficaram em silêncio pelo resto da viagem, observando as pessoas que entravam e saíam. O Vagão ficava mais e mais cheio, mas não parecia ter nada de errado. Era só gente. A detetive apenas via energia fluindo livremente para um lado e para o outro. Ela ergue a mão direita e a abriu, fazendo com que, na sequência, parecido com o que aconteceu no ônibus no outro dia, energias dançassem ali, quase como se a jovem pudesse canalizar as energias de formas especiais. Ela dançava com a mão e as energias dançavam junto, o que naturalmente gerou questionamentos por parte de suas amigas, que preferiram não desconcentrá-la.

Flambarda agora trouxe a mão esquerda, que passou a dançar junto com a destra com diversos movimentos aleatórios porque ela não fazia a mínima idéia do que estava fazendo de fato, apesar de estar se divertindo. Até que o metrô começou a sair da estação do Flamengo em direção a Botafogo, o que fez com que Sofia e Fabiana se levantassem. A detetive então perdeu a concentração e os elementais tomaram algum outro caminho conforme ela se levantou para seguir o fluxo. Bibi naturalmente perguntou de curiosa.

domingo, 3 de março de 2024

O Cruel Destino de Gaza

Isso não é um texto sobre polêmica. Este texto também não é de exaltação a Palestina e a faixa de Gaza, nem mesmo de defesa ao Hamas e aos grupos guerrilheiros do Oriente Médio. Talvez seja um texto derrotista, mas pode ser que seja um olhar para o futuro.

Acabou. Netanyahu fez aquilo que queria sem a oposição das nações. O objetivo era destruir Gaza e assim o fizeram. Bombardearam e terraplanaram o lugar de norte a sul. Não haverá mais palestines naquele lugar, o objetivo do genocídio foi atingido. Eu vejo páginas e mais páginas, pessoas e mais pessoas tentando demonstrar um apoio individual, que não deixa de ser importante, mas é vazio, não vai muito além do nosso braço, que é muito curto num contexto intercontinental. Não importa o quanto a gente fale, grite ou esperneie, Netanyahu vai continuar o massacre até que não sobre mais qualquer pessoa mesmo que se renda e passe a escravidão.

Mas isso não deve nos impedir de pensar sobre guerras, políticas e tudo mais que nos ronda e que de alguma maneira nos afeta. A destruição de Gaza nos afeta, a guerra da Ucrânia nos afeta, o armistício na Coréia nos afeta, e as constantes guerras na África também nos afetam. As silenciosas guerras das nações africanas. A libertação de Burkina Faso, o massacre do Congo, e tudo mais que acontece na África é simplesmente silenciado por qualquer mídia, seja porque quem domina esses lugares não deixa a mídia chegar, ou seja porque as mídias principais querem que continue assim. Não se fala sobre a guerra no Iemen. Não se fala dos conflitos constantes no Líbano. Se fala muito mais daquilo que afetam as nações que mais tem dinheiro. Milei? Milei ganhou as eleições na Argentina, e por mais que a gente tenha alguma notícia, ela não é pauta de discussão. Venezuela e Guianas? Não era pra estar tendo um conflito por lá? Isso nos remete a uma discussão sobre a mídia o que não é o ponto desse texto.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #72

- Eu!? Eu não quero envolver vocês nisso! Me deixa! - Disse Flambarda levando um tapa de Fabiana na mesma hora.
- Você tá maluca!? - Fabiana começou. - Comeu merda!? Toda vez que você tá sem a gente acontece algum caralho e a gente fica morrendo de preocupação nessa porra! Você sabe que a gente se importa! Não é como se a gente ficasse fingindo nessa merda esperando atenção tua! Quando é que você vai entender que a gente tá junto, hein, piranha!? A gente não tem uma luva foda que bota fogo na porra toda? FO-DA-SE! Enfia essa luva no cu! O que não deve ser tão difícil já que tá na mão direita!

Todas elas ficaram caladas por um tempo. Na verdade não era a primeira vez que Bibi tivera um acesso do tipo, mas geralmente quando ela explode, é intenso e realmente tem um efeito parecido e geralmente funciona, faz com que as amigas a escutem e Flambarda talvez precisasse escutar alguém além de si mesma. Só que dessa vez ela não tava muito disposta a ficar pra baixo.

- Tá bom, Fabiana. E o que você sugere? Que eu ligue pra puta da Sandra? Pra falar o que? Que eu sou uma piranha mal educada que larga as outras pessoas falando sozinha!?
- Começa falando pra gente o que caralhos você viu que fez você virar uma puta catatônica! A gente não tem bola de cristal! No máximo a Sofia joga tarô e eu tenho quase certeza que ela não tem as cartas aqui.
- Na verdade... - Sofia contestou, mas Fabiana cortou.
- Não! Nada de cartinha! Essa Flamvaca vai falar agora que merda que a gente viu porque eu to cansada de ver a minha amiga se enfiando na porra de um buraco. E parece que pulou de Bungee Jump sem corda! Puta que pariu!
- Cê quer saber mesmo né? - Flambarda desafiou.
- Não! - Bibi respondeu com Ironia. - Eu quero chupar uma buceta pra ver alguém delirar de prazer na minha língua... Puta que pariu, Flambarda! É claro que eu quero saber, porra!
- Tá. - Flambarda tentava alinhar os pensamentos. - Então me dá um caralho de um café e alguma coisa pra eu comer porque a gente vai pirar na batatinha aqui.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #71

- 2a2. - Flambarda respondeu na lata.
- Aquela lá na zona sul?
- Essa mesma. - Disse Sofia.
- Não gosto muito. Acho que tem melhores.
- Como é que você vai em casa de swing sem casal? - Flambarda perguntou.
- Bem... É complicado... - "Ahá! uma vulnerabilidade!"
- Tá bom, piranha. Eu vou descobrir em algum momento.
- Sou eu. - Sofia entrou na conversa de novo.
- Que!? - Flambarda e Fabiana disseram em uníssono.
- Eu que vou com ela nas casas de swing.
- Sofia! - Sandra parecia nervosa.
- Assim, vamo combinar, né, Flambarda. Vindo da Sofia, ela só precisava ter alguém pra ir. - Disse Bibi.
- E arrumou uma gostosa igual a Sandra. Acho que ela tá bem na fita - Completou a detetive.
- Saiba que se vocês me julgarem eu não to nem aí. - Sofia retrucou.
- Porra nenhuma! Acho que você tá certíssima!
- Isso aí! - Fabiana continuou. - A gente luta por essa liberdade! Se joga!

Um silêncio se instalou na sala por um momento. Todas sabiam porque estavam ali e quem estava em evidência. Os olhares se viraram para a druida. O livro de Wu Xing aberto sobre a mesa, pouco despertava o interesse das jovens agora, que talvez tivessem muito mais perguntas do que respostas, perguntas que certamente não seriam respondidas pelo livro, e talvez nem respondidas sejam, pelo menos não nesse momento. Flambarda decidiu fechar o livro com um pouco mais de força que o necessário para quebrar o clima e acabou assustando levemente Fabiana e Sofia, que olharam para a jovem com um olhar de espanto conforme ela voltou a falar.

- Então. Vamos pensar um pouco. Você já foi na 2a2; vai nas casas de Swing com a Sofia; Você é uma figura que se destaca na multidão, e em lugares desse tipo, deve ser carta marcada. Considerando que essas coisas acontecem de noite, você deve ter visto um malamorfo ou outro nesse seu passeio, mas se você sai com a Sofia, e ela nunca viu um, então, ou você é boa em rastrear elementos, ou a Sofia mentiu pra mim todo esse tempo. - Flambarda olha pra Sofia ao mesmo tempo em que pensa. - "Nossa, de onde eu tirei todo esse poder de dedução?"
- Não olha pra mim não! - Sofia se defendeu.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Poder e Posse - Para onde estamos indo? (18+)

Eu tenho enrolado um tempo pra escrever isso, mas a verdade é que eu to cansado de guardar isso pra mim. A verdade é que a gente ainda tem que andar muito pra que a nossa educação seja de fato libertadora - eu não me excluo disso - e a gente tem que andar juntos. A forma com a qual a nossa sociedade está estruturada, pra mim, é horrível. Como isso é apenas um texto de um doidinho da internet, então muito provavelmente não reflete a realidade geral, e, naturalmente, reflete apenas a minha perspectiva sobre como as coisas estão postas, e essa perspectiva me diz que estamos destruindo as futuras gerações e que precisamos mudar a forma com a qual a sociedade está organizada.

Vamos começar a destruição das futuras gerações? Porque é exatamente aqui é onde começam as questões de poder e posse. Na educação de crianças - e eu não quero usar muito o termo crianças, porque são apenas seres humaninhes que estão tentando aprender como o mundo funciona. - que desde cedo estão incluídas em relações de poder para com as pessoas mais velhas e/ou mais fortes que elas. Como diria o Tio Ben: "Com grandes poderes vem grandes responsabilidades", e de fato educar ume ser humaninhe é muito difícil, pelo menos se você tenta tirar a estrutura de poder, e aí começa o problema.

O meu primeiro problema é dizer que é possível educar com poder, e talvez seja possível ensinar uma coisa ou outra, mas isso também ensina outra coisa. Ensina que quem tem poder manda, e que a forma de se vencer na vida é tendo poder sobre os outros. Eu não posso dizer que é o desejo de toda a criança, mas eu posso dizer que foi o de uma e é o de uma segunda, ser adulta pra poder se libertar das estruturas de poder que tentam dizer o que ela tem que fazer, como, quando, e onde. Sem porquês. Não é necessário explicar motivos. Não é necessário explicar coisas que talvez sejam complexas como sociabilidade, e sim que não envergonhem sues responsáveis (pq as vezes não dá pra identificar como mãe, pai ou outra coisa). A verdade é que, para e educadore, (ab)usar da estutura de poder é fácil e traz ordem ao caos com facilidade, dando o controle na mão de quem está no alto da estrutura. Educar sem poder é trabalhoso, toma tempo, requer explicações de novo e de novo e de novo, e as vezes junto com experiências pessoas que talvez não gostaríamos que e outre ser humaninhe passasse, mas que vão acontecer. Se é trabalhoso e toma tempo, então a gente tem outro problema. Nossa sociedade não tem mais tempo.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Flambarda - A Detetive Elemental #70

- Direta ao ponto. Um pouco ameaçadora, mas disposta a matar no peito qualquer bola que eu mandar. - Disse Flambarda em voz baixa.
- Você sempre usa jargão de esporte?
- Eu acho que você entendeu um pouco errado, mas tudo bem. - A detetive repetiu o gesto de sua companheira olhando no rosto dela. - Bom, eu sei que você tá no meio desse mundo, como a Ana Luiza parece te conhecer, eu suponho que você seja uma druida. Dessa forma, eu imagino que você condicione o seu corpo pra evitar morrer nessa vida maluca que a gente vive. Eu tenho quase certeza que eu já te vi manipular energia antes eu só não sei até onde você consegue sentir as coisas, mas também sei que você sabe alguma coisa sobre essas benditas luvas porque uma vez você meio que me acobertou. Então...
- Nossa... - Sandra deu uma beiçada se mostrando impressionada. - parece que você fez uma pesquisa e tanto.
- Nem tanto. Eu deveria ter fontes melhores, mas eu sou uma merda de detetive que ao invés de ficar pesquisando a vida da pessoa por fora e coletando toda informação pública que você deixou pra trás, eu venho aqui na sua cara te perguntar os caralhos tudo sem qualquer evidência pra contestar qualquer porra. - E então a detetive girou a cabeça e passou a olhar em outra direção.
- É... - A druida arregalou os olhos, concordando com o que a detetive dissera
- Dito tudo isso, por que você me acobertou?
- Ah! Isso? Bom, você tem um luvetal na sua mão mas você não merece ser caçada por aí.
- A maioria das pessoas não liga pra luva, acho que ninguem anda por aí olhando a sua mão pra saber se você tem uma luva legal ou não.
- Não sei você, mas eu olho peito, bunda, pau, cabelo e rosto. No máximo olho pra mão pra saber o que a pessoa ta carregando.
- É mais ou menos o que eu olho também. - Mas nesse momento Flambarda estava notando que as energias que mais corriam por ela agora eram de fogo.

A porta se abriu e Fabiana chegou primeiro, como esperado porque a Sofia tem que vir lá de Botafogo. Ela trajava seu tipo de roupa clássica, shorts bem curtos, camisa cropped, tênis. Ao descer os olhos sobre Sandra ela naturalmente ficou admirada também, mas primeiro acenou para sua amiga, que acenou de volta, e então se sentou de frente pras outras duas colocando a bolsa rosa e espalhafatosa sobre a mesa.