sábado, 21 de dezembro de 2024

Sergio Sacani e o Conflito de Uso de Espaços Públicos

 A essa altura do campeonato eu acho que todo mundo sabe quem é Sergio Sacani, o que ele falou sobre palestrar na UFSC, já deve ter ido ver o vídeo da palestra pra saber se teve invasão e os caralho a 4. O que eu vejo em discussão é uma disputa de tecnicismo e detalhismo que, honestamente, é uma bosta. Desconsideram completamente o princípio da caridade argumentativa, e simplesmente ficam dois lados tentando disputar narrativa.

O Sergio fala "porrada" mas vamo combinar que certamente o cara não ia sair no braço com um monte de estudante. Nenhum dos dois lados é burro o suficiente para tal pq no final sabem que vai virar noticia no jornal e vai ficar feio pros dois. Já virou notícia porque o Sacani foi chorar lá no podcast que a galera não queria que a mesa acontecesse, e que é um absurdo que a galera não quisesse. Eu já vou explicar que é choradeira, mas ficar pegando no tecnicismo que não houve porrada e que ele devia escolher melhor as palavras é quase jogar sujo. Não é muito difícil de compreender que houve um conflito menor com uma pequena manifestação, e que de fato queriam, senão impedir a mesa de acontecer, pelo menos que fossem ouvidos e virassem notícia. Então meio que o Sergio acaba dando palco pra galera que foi pedir diversidade na mesa? De certa forma sim.

Mas de novo. Não vamos nos ater ao tecnicismo dos fatos como cães gulosos por expor hipocrisias porque senão vem um cavalo falando que a PEC 221 tá errada aritiméticamente, e o cara não entende que é pra acomodar hora extra e não explorar um trabalhador até a exaustão com elas, mas vamo lá.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

A Descriminalização do Aborto é Necessária

Eu não vou marcar esse episódio como polêmica porque não tem polêmica aqui. Criminalizar o aborto nos poucos casos onde ele já é permitido é um retrocesso em termos de direitos das mulheres. A Câmara dos Deputados vem tentando milhares de formas de fazê-lo, e a forma mais recente é através da PEC 164, do Eduardo Cunha que já foi até cassado, mas ta aí o projeto dele. Antes nesse ano tentaram passar o projeto de lei PL 1904, que foi rechaçado fortemente no congresso e pela população. Ainda assim as casas legislativas insistem em passar coisas que vão contra os desejos dessa mesma população. Não era pra esses caras representarem a gente?

A menos disso, as pessoas precisam entender que a descriminalização do aborto não é uma propaganda para que pessoas que gestam abortem suas crianças. Qualquer pessoa que disser que está contra a descriminalização por estar defendendo a vida de fetos ainda em formação está simplesmente mentindo porque, como todo mundo já sabe, abortos vão acontecer quer a legislação queira ou não. Esse tipo de argumento pode ser um pouco fraco porque vai na mesma mão de: "As pessoas vão matar mesmo que esteja na lei que não pode, então tira da lei que não pode matar." Só que você tem que tomar cuidado pra não cair numa falsa analogia porque um feto tem muitas particularidades que uma pessoa nascida não tem.

Para além de todas as estruturas de um corpo humano que não estão completamente formadas até um determinado estágio, a vida do feto depende da pessoa gestante ao qual ele está atrelado. Naturalmente depende menos conforme as estruturas vão se formando ao ponto de ser possível que um bebê com 7 meses de gestação venha saudável e sobreviva fora do útero com os cuidados de uma UTI Neonatal. Só que não dá pra fingir que não há vínculo entre feto e gestante. Gestantes mais saudáveis mantêm bebês mais saudáveis dentro de si. Isso não quer dizer que uma pessoa que tenha uma determinada doença não possa gestar, mas sim que há um risco para a criatura sendo formada caso a saúde da pessoa formadora não esteja em dia.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Libertação Trágica

AVISO: Esse texto fala sobre a morte de ume ente queride.

A morte vem. Ela é inevitável, apesar de tentarmos evitar ela a todo o custo. Cada vez mais adotamos estratégias que prolongam o nosso tempo de permanência e é perfeitamente justo que o façamos porque se não sobrevivermos, não seremos capaz de viver. Isso não significa que seremos capazes de prever quando nossas botas baterão, mas significa que a gente não vai bater as botas se formos capazes de evitar uma determinada situação.

O problema é que a sobrevivência é uma prisão. Para que continuemos ativos, precisamos satisfazer uma porção de condições. Pra início de conversa a gente precisa comer; beber água; e dormir; e isso só garante o mínimo do mínimo, porque se a gente quiser continuar nossa atividade a gente também precisa cuidar do nosso corpo para que ele possa continuar aguentando o tranco, uma vez que ele decai ao longo do tempo. Tem que se alimentar bem pra ter os nutrientes necessários pra nos fortalecermos ao longo do tempo e evitarmos uma porção de doenças; tomar vacina pra não deitar pra um vírus otário para o qual já se tem métodos eficazes de defesa; se entreter pra não ter um prilipaque, e etc.

Como se esse problema não fosse o bastante, ele está circunscrito pela sociedade e pela quantidade de tempo que a gente passa em atividade, ou seja, aquele tempo que a gente não passa dormindo. Pela sociedade porque a gente não pode sair fazendo o que a gente quer do jeito que a gente quiser porque tem outras pessoas vivendo com a gente, e pelo nosso tempo porque fazer todas essas atividades necessárias a sobrevivência requer tempo. Cozinhar; se exercitar; assistir TV; arrumar a casa; e mais uma porção de atividades que reduzem o nosso tempo onde nós gostaríamos de estar de fato vivendo.

Tem uma pegadinha aqui. Eu ainda não defini o que é vida.

domingo, 24 de novembro de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #83

- Quem me alertou foi a Fabiana, mas eu tenho uma infeliz coincidência. - Flambarda continuou.
- Diga. - Rain indagou.
- Eu peguei o mesmo metrô que ele estava conduzindo. Só que eu saí ali em Engenho da Rainha, caí na porrada com um malamorfo, derrotei ele, peguei o metrô, e quando peguei sinal ali em Inhaúma recebi essa ligação da Bibi.
- E como ela sabe que sequestraram o Rodney?
- Porque ligaram do celular dele.
- Pode ser clonado.
- E você acha que eu sei ver isso?
- Tem como, mas é meio chato.
- Que merda.
- O que mais você sabe?
- Nada

Um silêncio se fez na chamada por um instante.

- Então tá. Eu vou ver o que eu descubro.
- Não precisa me contar.
- Você vai saber.
- Não, obrigada.
- Até logo.

Eu realmente espero que ele não me ligue, mas ele vai me ligar né? Tinha que ser o filho da puta do Rodney. Eu tenho que pensar como ele pode ter sido raptado nesse tempo que eu tava brigando nas estações e como diabos o metrô continuaria sendo conduzido mesmo sem aquele filho da puta. Vamo, Flambarda, o que você consegue lembrar de informação relevante? - Flambarda estava raciocinando como salvar o Rodney, apesar de tudo. Talvez ele fosse uma peça chave pra entender tudo o que se passa, ou talvez seja só o atual ficante da sua amiga. De qualquer forma. ela parecia ter desculpas o suficiente pra salvar a criatura de sabe-se lá o que está acontecendo. - É muita coisa pra um domingo. Puta que pariu.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Privatização da Educação é O Caminho Errado

O título é exatamente esse. O meu objetivo aqui é demonstrar como a privatização da educação é exatamente o oposto daquilo que nós queremos para o nosso país.

A gente tá vendo acontecer em São Paulo e já aconteceu em outros estados, como no Paraná. Não é que as escolas públicas vão passar a ser privadas, o que realmente seria o caos completo, mas, sutilmente, os projetos de lei, que foram aprovados no Paraná e agora estão sendo tentados em São Paulo, transfere a gestão da infraestrutura da educação pública para a iniciativa privada. As empresas ficarão responsáveis pela construção dos prédios e, depois, pela manutenção da infraestrutura, pela gestão de limpeza, alimentação, vigilância e jardinagem e pela contratação de funcionários para essas áreas. Sob a responsabilidade das empresas também estarão as atividades diárias escolares envolvendo o apoio aos alunos que não conseguem acessar com autonomia as instalações escolares.

Sabe o que isso significa? É a manutenção e a infraestrutura da escola sendo usada pra gerar mercado e lucro usando dinheiro público. Se a escola não é privatizada totalmente então o dinheiro que vai ser usado na manutenção dessa infraestrutura é todo público. As pessoas vão conseguir se matricular nas escolas públicas ainda? Sim. As escolas públicas vão conseguir oferecer a mesma qualidade de ensino? Óbvio que não.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Economia, História, Cultura e mais num Caldeirão

" A palavra economia deriva do grego oikonomía : oikos - casa, moradia; e nomos - administração, organização, distribuição." - Você vai encontrar essa citação em vários lugares. Eu só coloquei "Economia etimologia" no google. A própria I.A. do Google gerou essa joça sem eu pedir, mas provavelmente copiou do ECONOTEEN que estava logo abaixo.

Eu vou falar sobre economia, mas com pouca propriedade porque eu não sou um economista. O que eu sei foi escutando outros economistas falarem sobre o assunto. Humberto Matos, Ju Furno, Andre Roncaglia, Paulo Gala...

Tá, mas o que eu prato de salada tem a ver com economia? A gente não deveria falar de dinheiro, juros, PIB, e essas coisas chatas que aparecem no jornal?

Não.

Eu fiz uma cadeira de economia na faculdade e a primeira coisa que foi feito foi cortar o papo de que economia se trata de dinheiro. Se trata de produção e distribuição de bens, se trata de quanto de tomate, quanto de alface, quanto de batata está sendo produzido e se esses produtos estão chegando para as pessoas que vão consumir. Significa também se há pessoas cozinhando esses produtos, como estão sendo cozidos e quem está comendo, e se essas pessoas estão comendo o suficiente para continuar os seus afazeres. Isso é meio complicado porque confunde um pouco com logística, quase como se fosse uma extensão da mesma. Pensando por um lado, talvez seja.

Não se trata necessariamente de justiça, apesar de ser possível de, em certa medida, usar medidas econômicas para que se execute justiça de forma um pouco mais objetiva.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Flambarda - A Detetive Elemental #82

- É melhor você ligar pro socorro ou chamar alguém. - Disse Alabáreda
- Claro!

Flambarda procurou o celular na mochila, e felizmene não foi muito difícil de achar. O sinal não estava perfeito mas havia alguma coisa e talvez fosse possível contactar o 193. O que se passava pela sua cabeça era como explicar o que diabos aconteceu ali na plataforma e como diabos o agente de segurança foi parar lá e acabou desacordando porque seria a pergunta mais natural a se fazer. Pensar que ela precisaria responder isso - e dizer a verdade provavelmente não adiantaria de muita coisa - fazia com que ela hesitasse em suas ações, mas decidiu que seu companheiro - relativamente inseparável - estava certo. Ela pensaria em alguma desculpa assim que conseguisse ajuda. O telefone chamava enquanto ela subia as escadas procurando quem pudesse auxiliá-la.

A estação parecia meio fantasma. Pra não dizer totalmente, havia uma caixa ainda pra atender quem quer que fosse, se é que apareceria alguém, e pra sua surpresa quem apareceu estava do outro lado da catraca gritando.

- AJUDA POR FAVOOOOOOR - Gritou Flambarda.
- OOOOOOOOOI!? - A mulher respondeu
- ME AJUDA!
- O QUE QUE FOI!?
- O GUARDINHA DESMAIOU!
- VIXE!

A mulher parecia estar fazendo uma série de ligações, até que alguém finalmente atendeu na ligação que estava sendo feita no celular.

- Alô? - Disse a voz do outro lado do telefone
- Oi! Eu preciso de ajuda!
- Calma, senhora. O que está acontecendo?
- Miga. - "Senhora é a puta que te pariu", a detetive pensou enquanto conversava. - Tem um guardinha desmaiado aqui na estação de metrô.
- Qual estação?
- Engenho da Rainha.
- Estamos enviando uma viatura praí agora mesmo. Não mexa nele enquanto isso, por favor.
- Tá bom. - "Tá falando meio tarde, miga."