quarta-feira, 27 de abril de 2016

Parcimônia Frenética #16 - Aventureiros (De encontro a Karlrock)

Lanma levantou-se rapidamente, trazendo seu machado num ato quase reflexo.

- Karlrock! - ela bradou olhando em volta apreensiva.

- Ele deve ter ido fazer suas necessidades longe do riacho. Não há motivo para ficar agitada.

- Hmmm.... Uh-hmm, deve ter sido isso mesmo. Melhor você ficar calma, moça... Senão as pessoas podem começar a suspeitar de coisas... - cantarolou de forma zombeteira o halfling.

- Cale-se, Phyllander! - rosnou a anã em resposta.

- Pe-pe-pessoal! Ca-calma! P-por favor... Não se... Não se... Não se alterem... -  suplicou Mirdonis quase num sussurro enquanto torcia a manga do robe nas mão aflito.

Nerani suspirou, aborrecida, e se levantou. Prim alegremente saltitou para o topo de sua cabeça enquanto ela investigava os arredores e observava ao longe.

- Pronto. Ali. Não precisam de nada dessa confusão. - disse ela num tom monótono enquanto apontava para algo.

Todos se viraram para o local apontado pela elfa e não demoraram a ver do que se tratava. Não muito longe dali erguia-se uma pequena colina, e no topo dela uma grande e curvado salgueiro. E sob o salgueiro, aparentemente encarando-o em silêncio, a inconfundível figura grande e austera de Karlrock.

A anã, o halfling, o mico, e o jovem de robes compridos observaram a cena com curiosidade. E todos, menos mico, começaram a ter seus pensamentos intrigados pelos motivos que levariam o pragmático homem a fazer aquilo. O mico só pensava se ele traria comida quando voltasse.

- Ele parece... Pensativo... - relatou Mirdonis espremendo os olhos para tentar enxergar melhor.

- Mistério solucionado. Me acordem quando forem sair. - requisitou o halfling despreocupadamente e logo voltou a se deitar e fechar os olhos.

Nerani voltou a sua posição de reflexão e suspirou. Prim rapidamente se pôs em seu colo.

Mirdonis entortou os lábios e sentou-se novamente com o livro nas mãos, mas sem tirar os olhos da figura sob a árvore na colina. Ainda preocupado com a situação.

E Lanma continuou de pé, observando Karlrock ao longe e imaginando o que estaria acontecendo.

- Você deveria ir lá falar com ele... - sugeriu o halfling num tom escarnecedor sem abrir os olhos, claramente se dirigindo a anã.

- Eu não quero atrapalhá-lo. - respondeu seriamente a anã sem aparentar ter se dado conta no tom de escárnio da sugestão enquanto considerava verdadeiramente fazê-lo.

Mirdonis entortou os lábios para um lado e para o outro, remexeu os pés, e abriu e fechou o livro a esmo. Tentou não falar nada, mas por fim não conseguiu.

- B-bem! Pode haver mesmo um problema e... E... E... E... E alguém deve-... Deveria mesmo ir lá e f-f-f-fa-f-falar com ele. -  acabou exclamando num impulso.

Lanma olhou para o jovem, ainda um pouco indecisa, e suspirou.

- Certo. Eu vou. - ela disse e começou a vestir sua armadura de pele de urso.

A anã pôs o inseparável machado no ombro e partiu em direção a colina. Acompanhada pelo olhar ansioso do jovem de robes compridos, e espiadas dissimuladas da elfa e do halfling. Ela atravessou o campo de grama alta de forma direta e decisiva, apesar de ter da vontade de desistir e voltar ter passado algumas vezes por sua mente.

Ela subiu a pequena colina sem esforço, e se aproximou com cuidado do homem das placas de metal. Pisou forte e respirou pesadamente enquanto chegava, para anunciar sua presença, mas Karlrock continuou encarando a árvore. Os ramos de folhas amareladas que desaguavam profusamente pela copa da árvore chegavam quase até a cabeça do homem.

- Está tudo bem, Karlrock? - perguntou a anã num tum estranhamente gentil para ela - Você sumiu sem dizer nada e veio aqui para um ponto mais alto. Há possibilidade de sermos atacados? Procura inimigos? - completou apressadamente num tom mais rígido.

Karlrock pôs a mão no tronco da árvore de forma cuidadosa e respondeu sem olhar para a anã.

- Foi aqui. Aqui que eu decidi servir a Justiça.

O homem falou em tom tênue. E então ele olhou para o horizonte.

Lanma acompanhou o olhar do homem e pensou ter visto as ruínas da cidade disforme ao longe naquela direção.

- Aqui minha jornada começou. Aqui eu dei o primeiro passo que fez com que eu me unisse a vocês.

A anã observou as costas largas do homem a sua frente como se o visse pela primeira vez, até então sem nunca acreditar que houvesse algo sobre ele que não fosse óbvio. Surpresa pelas palavras leves e aparentemente sem um fim prático e direto, que nunca antes fizeram parte do repertório de Karlrock.

- Bem... Se você precisa de alguém para ouvir sua história. Eu estou aqui. - ela disse em tom brusco e exageradamente agressivo, para tentar esconder seu real interesse.

Karlrock não pareceu ofendido. Ele acenou afirmativamente com a cabeça, virou-se para Lanma, e então sentou-se no chão encostado na árvore.

- Sim. Acho que é isso que preciso. - ele respondeu com sua mesma expressão neutra de sempre,

Lanma encarou o chão furiosamente para esconder o rubor de suas bochechas. Desnecessariamente, afinal ainda estava bem queimada do sol. Ela cravou a lâmina do machado no chão ao lado dela num movimento intenso e veloz, e então sentou-se no chão de frente para o homem esperando que ele começasse a contar.

A decisão de Molton

Molton é um entusiasta dos celulares antigos. Ele é jovem. Possui apenas 17 anos. Diferente da maioria da sua faixa etária, Molton usa o celular apenas em dois momentos, quando ligam pra ele ou quando recebe um SMS. Ele raramente liga pras pessoas. Acha um saco ter que ficar ligando quando você simplesmente pode ir até lá e falar com quem você quer falar bebendo um café, ou uma cerveja.

Um outro jovem, Gaspar, era mais descolado e extremamente conhecido nas redes sociais com seus vídeos no vcTubo. Ganha muito dinheiro com marketing apenas falando sobre aquilo que não conhece muito bem e que as pessoas também já esqueceram de modo ligeiramente irreverente. Ao ver Molton atendendo uma ligação em seu celular de slide, Gaspar rapidamente entrou em ação utilizando o seu celular moderníssimo para filmar tudo o que aconteceria.

E o jovem descolado mostrou-se um bocado preconceituoso em relação ao estilo do outro rapaz, mas fez uma proposta: Molton iria passar um dia inteiro usando um Smartphone. Se ele se adaptasse, Gaspar poderia fazer um vídeo com a participação de seu rival, senão ele teria de fazer um vídeo de desculpas utilizando um celular mais antigo do que o atual de Molton.

A verdade é que Gaspar queria perder a aposta. Ele invejava a tranquilidade e a liberdade que Molton tinha para fazer o que bem quisesse sem que trezentas pessoas ficassem perguntando para saber da sua vida pessoal. Com uma notificação pipocando a cada minuto e um pequeno contrato de divulgação de celulares de uma marca mais simples, ele era induzido a fazer coisas que não gostaria.

Molton, ainda não aceitou a aposta. A aceitação estará formalizada apenas quando ele fizer um vídeo usando o seu recém adquirido celular confirmando a aposta e citando Gaspar. Ele sabe que ao fazer isso as redes sociais estarão entrando na sua vida como um estouro de boiada, e agora olha para para o aparelho, meditando enquanto faz um barro porreta no banheiro.

O que será que Molton fará?

Frente fria

Uma frente fria está chegando no Rio de Janeiro. Na verdade já chegou e tá até chovendo, isso significa que vai ter muita gente ficando gripada devido a mudança climática.

Como tudo na vida, mudanças bruscas realmente tem algum impacto sobre nosso corpo. Sejam essas mudanças no clima, na gente ou em alguém que conhecemos. Isso não é necessariamente ruim. É só saber usar os fatos a nosso favor.

Eu estou em uma mudança brusca e me adaptando. Posso dizer também que diversas frentes frias estão aos poucos fazendo chover e regando a minha terra. Tornando-a produtiva novamente.

Polêmica #60 - Bolsonaro Contra-Ataca

Eu vejo uma porção de gente focando o dia de ontem apenas em 1 ou 2 membros do plenário e eu vou colocar aqui alguns pontos que eu acho pertinentes.
Bolsonaro saudou um torturador. Agora vamos olhar pelo lado de quem combate o crime. Se você tem uma pessoa que você sabe e tem provas de que a pessoa estava envolvida em atividade criminosa e ainda sabe que ela não atuou sozinha, você não torturaria aquela pessoa? Ou melhor, por que não torturar os filhos daquela pessoa? Na hora que o bope tortura bandido no tropa de elite todo mundo concorda né? Tortura é uma técnica de obtenção de informações sem escrúpulos. É a questão de sacrificar 1 pra salvar 500. Eu certamente não teria coragem pra isso, mas tem gente que o faz e realmente consegue resultados positivos.

domingo, 24 de abril de 2016

Parcimônia Frenética #15 - Aventureiros (Descansando na beira do riacho)

O halfling habilmente cortava a grama alta e arbustos mais densos enquanto traçava o caminho da estrada até o riacho escondido entre as árvores baixas. As adagas reluziam ao surgirem subitamente em suas mãos para cortarem o caminho, e sumiam com mais um piscar sem deixar pistas de onde haviam ido parar. É claro que o fato de Phyl estar usando uma camisa simples e encardida, e uma calça transbordando de bolsos deixava a dedução bem simples.

O homem com as placas de metal seguia logo atrás com o mico empoleirado em sua cabeça, acompanhado pelo trôpego e desajeitado jovem de robes longos e escuros que carregava a pilha de vestes da elfa e parecia indeciso sobre tropeçar nas raízes protuberantes e imperfeições do terreno, ou no próprio robe. A anã, cada vez mais vermelha e suada, vinha mais atrás arrastando os pés e bufando.

Logo todos estavam na beira do riacho. O homem pôs suas tralhas e a mochila da elfa no chão, e foi ajudar a anã a se livrar das próprias de maneira estranhamente gentil para um figura tão mal-encarada e sisuda. A anã desabou nas margens d'água assim que pôs os pés dentro da mesma, e brigou e resmungou um bocado antes de acabar aceitando a ajuda do homem para tirar sua mochila e tralhas das costas. O halfling simplesmente se jogou de costas na grama úmida e fresca, e aproveitou a sombra.

A harpia planou em espiral até atingir o solo, e posou elegantemente próxima ao grupo. Assim que os pés da ave tocaram o chão, a transformação se iniciou de forma reversa. Seu corpo se alongando, as penas e bico se retraindo, e as formas se enchendo até dar lugar a seu corpo feminino. Obviamente ela estava agora nua ali, fato que claramente envergonhava profundamente o jovem de robes longos e escuros, que fazia o melhor possível para estender a pilha de roupas que havia trazido para a elfa enquanto virava a cabeça para o lado oposto e espremia suas pálpebras para que se mantivessem fechadas com toda sua força.

O halfling era o único outro que parecia se importar com a aparição da companheira nua ali, lançando olhares fugazes e dissimulados para o corpo da mesma.

A elfa terminou de se vestir, e em breve todos estavam assentados e bebendo água, se refrescando no riacho, e enchendo seus cantis. Finalmente num ambiente fresco e protegido do sol eles podiam enfim descansar e recuperar as forças. A pele alva da anã voltara quase que completamente ao seu tom pálido, ressaltado pelas bochechas, nariz, e ombros que agora exibiam um tom avermelhado que demoraria um pouco a sumir. E ela também parecia bem mais confortável e vigorosa, apesar de que isso só significava que havia recuperado forças o suficiente para reerguer sua fachada orgulhosa.

- Se retomarmos a caminhada depois de descansarmos um momento, ainda teremos algum tempo de luz. Provavelmente o suficiente até chegarmos as ruínas. - disse o homem das placas de metal.

- Temos mesmo que voltar a andar ainda hoje, Karl? Não dá pra ficar por aqui e montar acampamento? Parece um lugar tão confortável... - sugeriu o halfling displicentemente enquanto se espreguiçava na grama.

- E perder metade do dia só porque alguns de nós não conseguem aguentar um pouquinho de calor? - respondeu num tom agressivo a elfa, Nerani.

A anã sentiu-se imediatamente ofendida, se pondo de pé e estufando o peito.

- Eu não pedi que ninguém parasse em lugar nenhum! Estava bem e podia continuar andando se quisessem!

A elfa suspirou e ergueu uma mão apaziguadora.

- Não estava me referindo a você, Lanma. Acalme-se.

A anã bufou e sentou-se novamente, ainda irritada e se aproveitando do rubor da queimadura para esconder o enrubescimento de vergonha que tomava suas bochechas.

- E-eu não queria voltar a andar... Ma-mas acho que daqui a pouco o sol vai estar mais baixo, mais fraco. Não f-faz sentido mesmo parar agora na metade do di-dia. Infelizmente...

- Então, descansaremos um pouco e então voltaremos a andar para chegar nas ruínas antes que o sol se ponha. - ordenou Karl de forma conclusiva.

Cada um então virou-se para um lado e se puseram a descansar. Phyl, o halfling, parecia cochilar na grama. Nerani, a elfa, mantinha-se sentada numa posição de aparência desconfortável olhando para o vazio, enquanto o mico, Prim, saltitava a sua volta caçando insetos. Lanma estava sentada encostada no tronco de uma árvore perto da margem do riacho, com uma feição aborrecida, e acariciava seu pesado machado sobre as pernas como um animal de estimação querido.

O jovem de robes longos e escuros tinha tirado um pesado livro da mochila, e parecia lê-lo concentrado. Porém, foi ele o primeiro a perceber que alguns minutos depois algo havia acontecido.

- Errr... Pe-pessoal...? - ele indagou aos outros a sua volta.

- O que foi, Mirdonis? - o halfing respondeu prontamente, revelando estar bem mais atento do que parecia.

- Ca-cadê o Karlrock?

E o homem das placas de metal, Karlrock, realmente não estava em nenhum lugar a vista.

sábado, 23 de abril de 2016

Parcimônia Frenética #14 - Aventureiros (Uma estrada sob o sol)

A equipe morosamente pela beira da estrada de terra batida, rejubilando-se a cada oásis de sombra debaixo de uma das raras e solitárias árvores que surgiam fortuitamente acompanhando a estrada. Para este e aquele lado só se podiam ver extensos terrenos de grama alta ou algum cultivo de grãos, intensamente iluminados pelo o sol que no momento se encontrava livre do abraço dos nuvens bem ao centro do céu. Uma brisa refrescante era uma bênção rara e fugaz. E as pesadas mochilas de equipamentos, e as armas, e as armaduras já parcialmente retiradas, não tornavam o caminho nem um pouco mais fácil.

O clima estava claramente taxando mais cruelmente a mulher baixa, extremamente baixa, que estava quase que totalmente despida de suas vestes protetoras de pele grossa de urso e tachas de metal. Sua pele alva estava rapidamente tomando um tom rubro, especialmente nas bochechas, nariz e ombros, quase tão rubros quanto seus cabelos ruivos. Ela escorria gostas de suor a cada passo, e parecia dá-los arrastado os pés. Ofegava e pendia sob o próprio peso. Mas se recusava a parar ou largar a sua mochila, ou mesmo tirar o imenso machado de cima do ombro.

O homem que andava na frente fez uma pequena pausa e dirigiu o olhar a equipe que o seguia. Metade das imensas placas de metal que normalmente cobriam seu corpo estavam encaixadas entre si e amarradas junto a sua mochila, o que fazia parecer que ele certamente estaria carregando o maior peso dentre os outros que o seguiam. Sem contar que as placas de metal que mantinha nos braços e pernas provavelmente o estariam cozinhando lentamente naquele sol. E mesmo assim ele parecia o menos afetado pela situação como um todo. Não fosse o suor escorrendo em sua testa, mal se poderia dizer que estava caminhando a tanto tempo no sol.

Seu olhar atencioso e sério perscrutou a anã ruiva, e seus lábios se torceram de maneira desaprovadora. Ele sabia que anã vinha das terras do norte, que eram governadas pelo frio e pelo gelo, e portanto aquele clima provavelmente estaria minando suas forças em ritmo acelerado. Respirou profundamente e soltou uma mescla entre bufo e suspiro antes de voltar seus olhos para o caminho em frente.

- Nerani. - a voz do homem ecoou num tom grave e categórico - Veja se encontra um riacho escondido na vegetação no campo ali a esquerda. Pelo que eu lembre, devem haver algumas árvores baixas por ali.

A mulher alta e esbelta, de pele morena e sedosa, que usava tiras de couro, pele, e casca de árvore discordantes como vestimenta parou de andar ao ouvir a ordem. Ela ajeitou os longos e volumosos cabelos escuros e encaracolados para trás das longuíssimas e pontudas orelhas, e lançou um longo e incisivo olhar para o homem que a proferira. Por alguns segundos pareceu estar prestes a expor algum tipo de protesto, mas por fim se acalmou e soltou o ar de forma longa e monótona.

A elfa pôs o longo galho de madeira que lhe servia como bastão no chão, logo em seguida se agachou e retirou a mochila das costas, deixando-a no chão também, passou a tira de couro do cantil sobre a cabeça, lutando com os sujos e emaranhados cachos com adereços de pena e osso no processo. E enquanto tudo isso acontecia, um pequeno mico saltava pelas suas costas, cabeça, e ombros, habilmente manobrando a si mesmo para continuar empoleirado na elfa.

- Prim, você também... - ela disse levantando a mão até próximo ao ombro onde agora o mico se encontrava

O mico pulou para o seu braço e soltou um guincho inquisitivo para a elfa, observando-a atentamente com os enormes olhos escuros e virando a cabeça em movimentos rápidos e curtos.

- Espere aqui...

Ela pôs o pequeno primata sobre sua mochila, onde ele ficou após soltar um leve guincho de desaprovação. E então se levantou.

A elfa elevou ambos os braços bem ao alto, e respirou profundamente. E enquanto soltava o ar algo incrível acontecia... Seu corpo parecia diminuir, retraindo para dentro de suas vestes, seu rosto parecia alongar-se, seus braços se vergavam de maneira estranhas, e penas brotavam de sua pele.

A transformação foi rápida, durando pouquíssimos segundos, e por fim suas vestes caiam vazias no chão enquanto a elfa, agora uma harpia amarronzada e cinzenta, voava para fora e para o alto.

Nenhum dos outros integrantes da equipe pareceu surpreso ou assustado, apesar de alguns estarem claramente impressionados. Essa não era nenhuma novidade entre eles.

A elfa em forma de ave sobrevoou a equipe e então o campo, sendo observada atentamente pelo primata que havia ficado no solo. E depois de algumas voltas pelo céu, finalmente começou a sobrevoar um lugar específico sobre o campo e soltou um assobio de chamado.

- Phyl, vá na frente. - o homem com as placas de metal comandou enquanto se movia para pegar a mochila da elfa, o que aumentava a sua carga insensatamente grande.

O pequeno mico pulou animadamente para sua cabeça, aparentemente acostumado com o homem.

Antes que pudesse abaixar para pegar as vestes da elfa, foi interrompido por um dos outros membros da equipe. Um jovem de cabelos intensamente pretos e olhos intensamente azuis, que vestia robes desnecessariamente longos e escuros, e se recusava a tirá-los mesmo naquele calor. Ele catou cuidadosamente as vestes estranhas e desconexas da elfa, com certa dificuldade para dobrá-las e em algum ponto quase derrubando tudo, e ofereceu um sorriso constrangido mas gentil ao homem que parecia já ter peso demais.

O homem agradeceu a ação com um aceno de cabeça.

Enquanto isso, Phyl, o último membro do grupo, habilidosamente já seguia através da grama alta. Com cuidado e precisão, o pequenino ser que lembrava um homem adulto encolhido ao tamanho de uma criança averiguava o terreno e traçava uma trilha clara até o ponto em que a elfa sobrevoava. O halfling vestia uma calça de couro leve e bem costurada de onde surgiam mais e mais bolsos por quanto mais tempo se observasse, e levava na mochila o resto de sua armadura.

sexta-feira, 22 de abril de 2016