"Serenna e eu saímos daqui assim que recuperamos nosso fôlego, deixando nada para trás além de nosso passado destruído e em chamas. Mas nunca vou esquecer dessa colina, dessa árvore, e daquela promessa.
Caminhamos meio sem rumo por dias. O pai de Serenna era uma caçador, então ela reconhecia algumas ervas comestíveis e sabia montar armadilhas simples. Foi isso que nos manteve vivos até acharmos uma cidade.
A cidade que encontramos não era muito maior do que a nossa mas, para quem tinha vivido a vida toda numa vila com não mais do que 15 famílias, aquele lugar era enorme e ensurdecedor. Sujos, maltrapilhos, e com aparência faminta fomos imediatamente taxados de garotos de rua e possíveis ladrões. A guarda da cidade era maior e mais organizada, não demorou muito para ouvirem de nós e decidirem tomar uma providência.
Talvez os deuses tenham decidido que tínhamos passado por provações demais até então e que, portanto, já era hora de um merecido descanso. O guarda mandado para cuidar do problema, nesse caso eu e Serenna, era um homem honesto e gentil. Ele nos ofereceu comida e água, e nos perguntou quem éramos e o que estávamos fazendo ali antes de tomar qualquer atitude. Ele se ofereceu para nos ajudar até onde fosse capaz, e então pedimos que nos arranjasse um modo de chegar até a capital de Campamerelo.
O guarda, cujo nome me arrependo de não lembrar e para quem ainda tenho uma grande dívida, nos conseguiu um lugar na caravana que enviava produtos para uma cidade de médio porte e indicou seguir as caravanas de caixeiros viajantes que normalmente faziam a sua rota entre as cidades mais populosas em sentido a capital.
A viagem até a capital não foi o que eu chamaria de 'desprovida de obstáculos'. Fomos enganados por trapaceiros, nos perdemos, precisamos arrumar trabalhos dos menos gratificantes e confortáveis para garantir nossas passagens em diversos lugares, tivemos que defender os mercadores de bandidos e animais selvagens diversas vezes... Mas eu não diria que tais coisas foram meros incômodos sem seu valor. Graças a tais eventos, eu e Serenna fomos capazes de treinar nossos corpos, mentes, e habilidades de combate. E tais capacidades foram muito úteis no resto de empreitada, e ainda hoje me são tão úteis quanto.
Finalmente chegamos em Campamarelo, depois de uma quantidade de dias que ultrapassou nossa capacidade de atenção para contá-los. Podem ter sido alguns dias, alguns ciclos da lua azul, ou talvez até alguns ciclos da lua vermelha... Eu realmente não sou capaz de lembrar cada dia que passamos nas estradas e cidades pelo meio do caminho. Mas nada disso importava também, pois havíamos chegado ao nosso destino.
Eu acreditava que uma vez na capital Serenna e eu teríamos uma espécie de despedida. Ela tinha parentes que supostamente moravam lá, que ela poderia buscar. E uma jovem mulher sempre poderia buscar um emprego de camareira numa estalagem, ou até uma garçonete numa taverna. E Serenna não era nenhuma flor frágil e delicada, ela poderia fazer muito bem o que bem quisesse. Mas a última coisa que eu imaginaria numa pessoa tão... tão... expansiva... e com pouquíssimo apreço pelas normas.. seria que lhe surgisse uma inclinação militar de última hora.
Para minha surpresa, porém, Serenna foi comigo até ao quartel e, ao invés de se despedir de mim, entrou no centro de alistamento logo atrás.
Ambos fomos avaliados e considerados aptos ao treinamento. Fomos imediatamente enviados para o arsenal para buscar nosso equipamento. E assim que tive um momento a sós com ela imediatamente indaguei sobre a loucura que estava fazendo.
O exército de Campamarelo não tem nada contra aceitar mulheres, desde que essas sejam consideradas fisicamente aptas, e passem por todos os treinamentos e testes. Assim como qualquer um que queira a cama quente e as três refeições diárias que o serviço oferece. Mas mesmo assim são poucas que demonstram a constituição e impulso agressivo necessários para considerar uma vida de soldado. E portanto havia uma clara discriminação e óbvios riscos para a minoria feminina num ambiente dominado pelos homens.
Serenna ignorou todas as minhas preocupações e todos os meus argumentos. Ela declarou calmamente que não havia possibilidade de me deixar sozinho, e que ali acabava a discussão."
O canto do lábio de Lanma se contraiu numa sombra de um sorriso.
- Gosto dessa Serenna. Garota forte. Decidida.
No instante que soltou a frase, porém, uma caravana de pensamentos atravessou sua mente em alta velocidade. E ela subitamente começou a se preocupar com a existência de Serenna e seu possível futuro naquela história, mesmo sem saber exatamente explicar o porquê desse sentimento.
- Sim... Eu a descreveria como teimosa. Mas acho que "forte e decidida" são modos de enxergar a situação. Mas enfim...
"Uma vez que Serenna estava decidida no que faria e nada que eu dissesse mudaria seus planos, nada mais pude fazer a não ser aceitar e lidar com isso da melhor maneira possível.
O treinamento era pesado e inclemente. Sendo projetado justamente para separar aqueles mais fracos, que acabavam desistindo ou sendo expulsos por serem incapazes de cumprir as ordens. Muitas pessoas se alistavam pelo abrigo e pela comida, com a esperança de um trabalho 'fácil' na patrulha da cidade, mas o exército real de Campamarelo não poderia ser composto por soldados fracos e indisciplinados. Portanto treinamento e testes duros como esses eram necessários para separar somente aqueles realmente capazes de serem soldados das multidões que se alistavam.
A experiência que adquirimos na viagem foi especialmente útil, facilitando nossa passagem pelos testes. E também nossa passagem pela rede de intrigas e violência entre os aspirantes a soldado mais brutos e menos inteligentes que queriam diminuir a concorrência. E fomos então aceitos no exército real de fato ao final do treinamento.
Eu precisava ir para a divisão das tropas de infantaria de campo, a divisão que exigia maior esforço e mais arriscada do exército real. Pois a minha intenção era ser enviado para proteger as cidades além, e a espada e escudo eram minhas armas de escolha. Portanto, Serenna decidiu ir para as tropas de arquearia de campo, uma vez que o arco era sua arma de escolha.
Dessa vez eu não discuti com ela, mas minha preocupação era sempre crescente. O abuso e discriminação que ela sofria por ser mulher aumentaram consideravelmente depois que saímos do grupo de treinamento e nos juntamos aos veteranos do exército real. E o capitão responsável pelas tropas de campo era um homem desagradável que era contra a presença de mulheres no exército. Essa atitude de um superior certamente se refletiria em seus sargentos e então nas tropas, o que tornaria o ambiente ainda mais nocivo para uma mulher.
Infelizmente minhas preocupações se mostraram corretas... E após alguns poucos ciclos da lua azul o abuso constante e atitude agressiva dos oficiais e soldados conseguiram quebrar até o espírito extremamente teimoso e inflexível de Serenna. Ela acabou se sentido sem opções além de mudar de divisão, e então ela foi para a divisão da patrulha dos muros, que era composta pelos melhores arqueiros entre os soldados.
Como a minha divisão estava constantemente fora da capital e a patrulha dos muros nunca saia de lá, finalmente eu e Serenna nos despedimos e tomamos caminhos distintos... Nos encontramos pouquíssimas outras vezes depois disso.
A última vez que a vi, foi quando ela foi me visitar as escondidas na prisão..."
Lanma arregalou os olhos e respirou fundo. Mais uma vez pega de surpresa por uma declaração de Karlrock naquela história. Sua mente era simplesmente incapaz de conceber ele, Karlrock, o paladino da Justiça, numa prisão.
- Então... Você acabou se tornando um carcereiro? - ela perguntou apesar do modo de Karlrock ter falado tivesse deixado relativamente claro que ele não estava do lado de fora das grades.
- Não... Eu estava preso, é claro.
Lanma estava sem palavras.
A gente vê por aqui...
segunda-feira, 30 de maio de 2016
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Parcimônia Frenética #17 - Aventureiros (Lembrança de uma promessa sob o salgueiro)
"A minha mãe sempre foi um mistério para mim. Ela trabalhava todos os dias o dia inteiro na lavoura, e ainda fazia comida, costurava as minhas roupas, e cuidava de mim. Ela nunca parecia cansada, ela nunca reclamava. Ela sempre tinha um sorriso para mim.
Meu pai era um dos guardas da patrulha da cidade. A cidade era pequena, então nós não tínhamos um governante ou algo do tipo. De tempos em tempos, uma comitiva do rei de Campamarelo vinha buscar parte dos nossos produtos como imposto. Mas o rei Garlan não podia dispor de tropas numa cidade tão afastada. Então a patrulha era um bando de homens locais mal armados que decidiram se unir para proteger suas terras e suas famílias.
Um dia, um grupo de homens bem armados e com armaduras de metal foi visto fazendo acampamento próximo da cidade. Todos ficaram apreensivos. Como eu era uma criança, pouco era dito para mim sobre isso.
Eu só soube que meu pai tinha ido até o acampamento para tentar descobrir alguma coisa quando minha mãe me contou que ele estava morto. Foi o que ela me disse quando eu perguntei sobre ele não ter voltado para casa depois de um dia:
- Karlrock, seu pai está morto.
Simples assim. Eu não sabia o que sentir, nem o que fazer. Só fui chorar horas depois quando encontrei uma menina chamada Serenna que morava na fazenda ao lado e era uma das poucas crianças da cidade que eu considerava minha amiga. Eu contei para ela como se comentasse sobre o clima, então ela me abraçou e chorou. Daí eu chorei também."
A expressão de Karlrock era impassível. Se algum sentimento acompanhava aquela memória, Lanma era incapaz de notar. Talvez por isso ela não conseguisse sequer imaginar o pequeno Karlrock da história chorando nos braços de sua amiga.
"Dois dias depois, os homens invadiram a cidade. Eles vinham com cavalos, machados, espadas, arcos, e armaduras de metal... A patrulha da cidade foi inútil. Um bando de homens sem treinamento com foices, forcados, e pedaços de madeira crua como clavas. Sem nenhum tipo de armadura. Foi um massacre.
As pessoas que sobraram vivas da investida inicial começaram a fugir. Minha mãe, que estava escondida em casa comigo até então, mandou que eu corresse para a casa da Serenna e fugisse com ela e sua família. E então ela pegou o machado que ficava ao lado da porta e saiu de casa.
Ela marchou até os homens que invadiam a cidade e brandiu o machado com toda sua força quando um deles cavalgou em sua direção. Ela acertou a pata dianteira do cavalo, que caiu e derrubou o homem que o montava. A última vez que a vi ela estava cravando a lâmina do machado na cabeça do homem caído.
Eu fugi. Fui até a casa de Serenna, mas não havia ninguém lá. Corri para o campo, para me esconder entre o trigo alto, mas alguns dos invasores me viu e cavalgaram na minha direção. O pai da Serenna surgiu do nada e acertou a cabeça de um deles com uma pedra que ele arremessou. Foi então que alguém pegou minha mão e começou a puxar. E fui puxado, correndo sem parar por uma quantidade de tempo que eu não fazia ideia que era capaz de correr.
Só quando paramos que eu vi que quem estava segurando minha mão era a própria Serenna. Atrás de nós ecoavam gritos da nossa cidade que começava a queimar. E a nossa frente a planície extensa ao pôr do sol. A única coisa que vimos que chamava nossa atenção foi essa colina aqui, com esse salgueiro. E então viemos para cá.
Quando chegamos aqui finalmente paramos para descansar. Sentamos no chão e observamos nossa cidade, nossa vida, queimando ao longe. E eu lembrei da minha mãe, saindo de casa com o machado nas mãos. A coragem dela ao enfrentar aqueles bandidos. E eu me orgulhei dela.
Então eu pensei: se houvessem mais homens no exército de Campamarelo, talvez cidades afastadas e pequenas como a minha pudessem receber um contingente. Mesmo um número bem pequeno, para treinar uma milícia local e planejar defesas. E foi então que eu decidi e prometi para Serenna que eu me alistaria no exército e serviria ao rei Garlan para impedir que aquilo acontecesse com mais alguém."
Imediatamente a expressão de Lanma se modificou, abalada pelo choque. Aquilo não estava certo, Karlrock era um guerreiro divino, servo da Justiça. E não um soldado do rei.
- Calma, calma, calma! - disse ela ao se recuperar se sua careta boquiaberta de sobrancelhas erguidas. - Você não tinha dito que foi aqui que decidiu servir a Justiça...? O que tem a ver o exército de Campamarelo com isso?!
Karlrock acenou com a cabeça, com os olhos cerrados e expressão calma.
- A minha intenção desde quando jovem era servir a Justiça, sim. E eu acreditava que me juntar ao exército de Campamarelo era de fato o meio mais eficiente para esse fim. Porém eu não sabia ainda o que de fato era a Justiça.
Meu pai era um dos guardas da patrulha da cidade. A cidade era pequena, então nós não tínhamos um governante ou algo do tipo. De tempos em tempos, uma comitiva do rei de Campamarelo vinha buscar parte dos nossos produtos como imposto. Mas o rei Garlan não podia dispor de tropas numa cidade tão afastada. Então a patrulha era um bando de homens locais mal armados que decidiram se unir para proteger suas terras e suas famílias.
Um dia, um grupo de homens bem armados e com armaduras de metal foi visto fazendo acampamento próximo da cidade. Todos ficaram apreensivos. Como eu era uma criança, pouco era dito para mim sobre isso.
Eu só soube que meu pai tinha ido até o acampamento para tentar descobrir alguma coisa quando minha mãe me contou que ele estava morto. Foi o que ela me disse quando eu perguntei sobre ele não ter voltado para casa depois de um dia:
- Karlrock, seu pai está morto.
Simples assim. Eu não sabia o que sentir, nem o que fazer. Só fui chorar horas depois quando encontrei uma menina chamada Serenna que morava na fazenda ao lado e era uma das poucas crianças da cidade que eu considerava minha amiga. Eu contei para ela como se comentasse sobre o clima, então ela me abraçou e chorou. Daí eu chorei também."
A expressão de Karlrock era impassível. Se algum sentimento acompanhava aquela memória, Lanma era incapaz de notar. Talvez por isso ela não conseguisse sequer imaginar o pequeno Karlrock da história chorando nos braços de sua amiga.
"Dois dias depois, os homens invadiram a cidade. Eles vinham com cavalos, machados, espadas, arcos, e armaduras de metal... A patrulha da cidade foi inútil. Um bando de homens sem treinamento com foices, forcados, e pedaços de madeira crua como clavas. Sem nenhum tipo de armadura. Foi um massacre.
As pessoas que sobraram vivas da investida inicial começaram a fugir. Minha mãe, que estava escondida em casa comigo até então, mandou que eu corresse para a casa da Serenna e fugisse com ela e sua família. E então ela pegou o machado que ficava ao lado da porta e saiu de casa.
Ela marchou até os homens que invadiam a cidade e brandiu o machado com toda sua força quando um deles cavalgou em sua direção. Ela acertou a pata dianteira do cavalo, que caiu e derrubou o homem que o montava. A última vez que a vi ela estava cravando a lâmina do machado na cabeça do homem caído.
Eu fugi. Fui até a casa de Serenna, mas não havia ninguém lá. Corri para o campo, para me esconder entre o trigo alto, mas alguns dos invasores me viu e cavalgaram na minha direção. O pai da Serenna surgiu do nada e acertou a cabeça de um deles com uma pedra que ele arremessou. Foi então que alguém pegou minha mão e começou a puxar. E fui puxado, correndo sem parar por uma quantidade de tempo que eu não fazia ideia que era capaz de correr.
Só quando paramos que eu vi que quem estava segurando minha mão era a própria Serenna. Atrás de nós ecoavam gritos da nossa cidade que começava a queimar. E a nossa frente a planície extensa ao pôr do sol. A única coisa que vimos que chamava nossa atenção foi essa colina aqui, com esse salgueiro. E então viemos para cá.
Quando chegamos aqui finalmente paramos para descansar. Sentamos no chão e observamos nossa cidade, nossa vida, queimando ao longe. E eu lembrei da minha mãe, saindo de casa com o machado nas mãos. A coragem dela ao enfrentar aqueles bandidos. E eu me orgulhei dela.
Então eu pensei: se houvessem mais homens no exército de Campamarelo, talvez cidades afastadas e pequenas como a minha pudessem receber um contingente. Mesmo um número bem pequeno, para treinar uma milícia local e planejar defesas. E foi então que eu decidi e prometi para Serenna que eu me alistaria no exército e serviria ao rei Garlan para impedir que aquilo acontecesse com mais alguém."
Imediatamente a expressão de Lanma se modificou, abalada pelo choque. Aquilo não estava certo, Karlrock era um guerreiro divino, servo da Justiça. E não um soldado do rei.
- Calma, calma, calma! - disse ela ao se recuperar se sua careta boquiaberta de sobrancelhas erguidas. - Você não tinha dito que foi aqui que decidiu servir a Justiça...? O que tem a ver o exército de Campamarelo com isso?!
Karlrock acenou com a cabeça, com os olhos cerrados e expressão calma.
- A minha intenção desde quando jovem era servir a Justiça, sim. E eu acreditava que me juntar ao exército de Campamarelo era de fato o meio mais eficiente para esse fim. Porém eu não sabia ainda o que de fato era a Justiça.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Parcimônia Frenética #16 - Aventureiros (De encontro a Karlrock)
Lanma levantou-se rapidamente, trazendo seu machado num ato quase reflexo.
- Karlrock! - ela bradou olhando em volta apreensiva.
- Ele deve ter ido fazer suas necessidades longe do riacho. Não há motivo para ficar agitada.
- Hmmm.... Uh-hmm, deve ter sido isso mesmo. Melhor você ficar calma, moça... Senão as pessoas podem começar a suspeitar de coisas... - cantarolou de forma zombeteira o halfling.
- Cale-se, Phyllander! - rosnou a anã em resposta.
- Pe-pe-pessoal! Ca-calma! P-por favor... Não se... Não se... Não se alterem... - suplicou Mirdonis quase num sussurro enquanto torcia a manga do robe nas mão aflito.
Nerani suspirou, aborrecida, e se levantou. Prim alegremente saltitou para o topo de sua cabeça enquanto ela investigava os arredores e observava ao longe.
- Pronto. Ali. Não precisam de nada dessa confusão. - disse ela num tom monótono enquanto apontava para algo.
Todos se viraram para o local apontado pela elfa e não demoraram a ver do que se tratava. Não muito longe dali erguia-se uma pequena colina, e no topo dela uma grande e curvado salgueiro. E sob o salgueiro, aparentemente encarando-o em silêncio, a inconfundível figura grande e austera de Karlrock.
A anã, o halfling, o mico, e o jovem de robes compridos observaram a cena com curiosidade. E todos, menos mico, começaram a ter seus pensamentos intrigados pelos motivos que levariam o pragmático homem a fazer aquilo. O mico só pensava se ele traria comida quando voltasse.
- Ele parece... Pensativo... - relatou Mirdonis espremendo os olhos para tentar enxergar melhor.
- Mistério solucionado. Me acordem quando forem sair. - requisitou o halfling despreocupadamente e logo voltou a se deitar e fechar os olhos.
Nerani voltou a sua posição de reflexão e suspirou. Prim rapidamente se pôs em seu colo.
Mirdonis entortou os lábios e sentou-se novamente com o livro nas mãos, mas sem tirar os olhos da figura sob a árvore na colina. Ainda preocupado com a situação.
E Lanma continuou de pé, observando Karlrock ao longe e imaginando o que estaria acontecendo.
- Você deveria ir lá falar com ele... - sugeriu o halfling num tom escarnecedor sem abrir os olhos, claramente se dirigindo a anã.
- Eu não quero atrapalhá-lo. - respondeu seriamente a anã sem aparentar ter se dado conta no tom de escárnio da sugestão enquanto considerava verdadeiramente fazê-lo.
Mirdonis entortou os lábios para um lado e para o outro, remexeu os pés, e abriu e fechou o livro a esmo. Tentou não falar nada, mas por fim não conseguiu.
- B-bem! Pode haver mesmo um problema e... E... E... E... E alguém deve-... Deveria mesmo ir lá e f-f-f-fa-f-falar com ele. - acabou exclamando num impulso.
Lanma olhou para o jovem, ainda um pouco indecisa, e suspirou.
- Certo. Eu vou. - ela disse e começou a vestir sua armadura de pele de urso.
A anã pôs o inseparável machado no ombro e partiu em direção a colina. Acompanhada pelo olhar ansioso do jovem de robes compridos, e espiadas dissimuladas da elfa e do halfling. Ela atravessou o campo de grama alta de forma direta e decisiva, apesar de ter da vontade de desistir e voltar ter passado algumas vezes por sua mente.
Ela subiu a pequena colina sem esforço, e se aproximou com cuidado do homem das placas de metal. Pisou forte e respirou pesadamente enquanto chegava, para anunciar sua presença, mas Karlrock continuou encarando a árvore. Os ramos de folhas amareladas que desaguavam profusamente pela copa da árvore chegavam quase até a cabeça do homem.
- Está tudo bem, Karlrock? - perguntou a anã num tum estranhamente gentil para ela - Você sumiu sem dizer nada e veio aqui para um ponto mais alto. Há possibilidade de sermos atacados? Procura inimigos? - completou apressadamente num tom mais rígido.
Karlrock pôs a mão no tronco da árvore de forma cuidadosa e respondeu sem olhar para a anã.
- Foi aqui. Aqui que eu decidi servir a Justiça.
O homem falou em tom tênue. E então ele olhou para o horizonte.
Lanma acompanhou o olhar do homem e pensou ter visto as ruínas da cidade disforme ao longe naquela direção.
- Aqui minha jornada começou. Aqui eu dei o primeiro passo que fez com que eu me unisse a vocês.
A anã observou as costas largas do homem a sua frente como se o visse pela primeira vez, até então sem nunca acreditar que houvesse algo sobre ele que não fosse óbvio. Surpresa pelas palavras leves e aparentemente sem um fim prático e direto, que nunca antes fizeram parte do repertório de Karlrock.
- Bem... Se você precisa de alguém para ouvir sua história. Eu estou aqui. - ela disse em tom brusco e exageradamente agressivo, para tentar esconder seu real interesse.
Karlrock não pareceu ofendido. Ele acenou afirmativamente com a cabeça, virou-se para Lanma, e então sentou-se no chão encostado na árvore.
- Sim. Acho que é isso que preciso. - ele respondeu com sua mesma expressão neutra de sempre,
Lanma encarou o chão furiosamente para esconder o rubor de suas bochechas. Desnecessariamente, afinal ainda estava bem queimada do sol. Ela cravou a lâmina do machado no chão ao lado dela num movimento intenso e veloz, e então sentou-se no chão de frente para o homem esperando que ele começasse a contar.
- Karlrock! - ela bradou olhando em volta apreensiva.
- Ele deve ter ido fazer suas necessidades longe do riacho. Não há motivo para ficar agitada.
- Hmmm.... Uh-hmm, deve ter sido isso mesmo. Melhor você ficar calma, moça... Senão as pessoas podem começar a suspeitar de coisas... - cantarolou de forma zombeteira o halfling.
- Cale-se, Phyllander! - rosnou a anã em resposta.
- Pe-pe-pessoal! Ca-calma! P-por favor... Não se... Não se... Não se alterem... - suplicou Mirdonis quase num sussurro enquanto torcia a manga do robe nas mão aflito.
Nerani suspirou, aborrecida, e se levantou. Prim alegremente saltitou para o topo de sua cabeça enquanto ela investigava os arredores e observava ao longe.
- Pronto. Ali. Não precisam de nada dessa confusão. - disse ela num tom monótono enquanto apontava para algo.
Todos se viraram para o local apontado pela elfa e não demoraram a ver do que se tratava. Não muito longe dali erguia-se uma pequena colina, e no topo dela uma grande e curvado salgueiro. E sob o salgueiro, aparentemente encarando-o em silêncio, a inconfundível figura grande e austera de Karlrock.
A anã, o halfling, o mico, e o jovem de robes compridos observaram a cena com curiosidade. E todos, menos mico, começaram a ter seus pensamentos intrigados pelos motivos que levariam o pragmático homem a fazer aquilo. O mico só pensava se ele traria comida quando voltasse.
- Ele parece... Pensativo... - relatou Mirdonis espremendo os olhos para tentar enxergar melhor.
- Mistério solucionado. Me acordem quando forem sair. - requisitou o halfling despreocupadamente e logo voltou a se deitar e fechar os olhos.
Nerani voltou a sua posição de reflexão e suspirou. Prim rapidamente se pôs em seu colo.
Mirdonis entortou os lábios e sentou-se novamente com o livro nas mãos, mas sem tirar os olhos da figura sob a árvore na colina. Ainda preocupado com a situação.
E Lanma continuou de pé, observando Karlrock ao longe e imaginando o que estaria acontecendo.
- Você deveria ir lá falar com ele... - sugeriu o halfling num tom escarnecedor sem abrir os olhos, claramente se dirigindo a anã.
- Eu não quero atrapalhá-lo. - respondeu seriamente a anã sem aparentar ter se dado conta no tom de escárnio da sugestão enquanto considerava verdadeiramente fazê-lo.
Mirdonis entortou os lábios para um lado e para o outro, remexeu os pés, e abriu e fechou o livro a esmo. Tentou não falar nada, mas por fim não conseguiu.
- B-bem! Pode haver mesmo um problema e... E... E... E... E alguém deve-... Deveria mesmo ir lá e f-f-f-fa-f-falar com ele. - acabou exclamando num impulso.
Lanma olhou para o jovem, ainda um pouco indecisa, e suspirou.
- Certo. Eu vou. - ela disse e começou a vestir sua armadura de pele de urso.
A anã pôs o inseparável machado no ombro e partiu em direção a colina. Acompanhada pelo olhar ansioso do jovem de robes compridos, e espiadas dissimuladas da elfa e do halfling. Ela atravessou o campo de grama alta de forma direta e decisiva, apesar de ter da vontade de desistir e voltar ter passado algumas vezes por sua mente.
Ela subiu a pequena colina sem esforço, e se aproximou com cuidado do homem das placas de metal. Pisou forte e respirou pesadamente enquanto chegava, para anunciar sua presença, mas Karlrock continuou encarando a árvore. Os ramos de folhas amareladas que desaguavam profusamente pela copa da árvore chegavam quase até a cabeça do homem.
- Está tudo bem, Karlrock? - perguntou a anã num tum estranhamente gentil para ela - Você sumiu sem dizer nada e veio aqui para um ponto mais alto. Há possibilidade de sermos atacados? Procura inimigos? - completou apressadamente num tom mais rígido.
Karlrock pôs a mão no tronco da árvore de forma cuidadosa e respondeu sem olhar para a anã.
- Foi aqui. Aqui que eu decidi servir a Justiça.
O homem falou em tom tênue. E então ele olhou para o horizonte.
Lanma acompanhou o olhar do homem e pensou ter visto as ruínas da cidade disforme ao longe naquela direção.
- Aqui minha jornada começou. Aqui eu dei o primeiro passo que fez com que eu me unisse a vocês.
A anã observou as costas largas do homem a sua frente como se o visse pela primeira vez, até então sem nunca acreditar que houvesse algo sobre ele que não fosse óbvio. Surpresa pelas palavras leves e aparentemente sem um fim prático e direto, que nunca antes fizeram parte do repertório de Karlrock.
- Bem... Se você precisa de alguém para ouvir sua história. Eu estou aqui. - ela disse em tom brusco e exageradamente agressivo, para tentar esconder seu real interesse.
Karlrock não pareceu ofendido. Ele acenou afirmativamente com a cabeça, virou-se para Lanma, e então sentou-se no chão encostado na árvore.
- Sim. Acho que é isso que preciso. - ele respondeu com sua mesma expressão neutra de sempre,
Lanma encarou o chão furiosamente para esconder o rubor de suas bochechas. Desnecessariamente, afinal ainda estava bem queimada do sol. Ela cravou a lâmina do machado no chão ao lado dela num movimento intenso e veloz, e então sentou-se no chão de frente para o homem esperando que ele começasse a contar.
A decisão de Molton
Molton é um entusiasta dos celulares antigos. Ele é jovem. Possui apenas 17 anos. Diferente da maioria da sua faixa etária, Molton usa o celular apenas em dois momentos, quando ligam pra ele ou quando recebe um SMS. Ele raramente liga pras pessoas. Acha um saco ter que ficar ligando quando você simplesmente pode ir até lá e falar com quem você quer falar bebendo um café, ou uma cerveja.
Um outro jovem, Gaspar, era mais descolado e extremamente conhecido nas redes sociais com seus vídeos no vcTubo. Ganha muito dinheiro com marketing apenas falando sobre aquilo que não conhece muito bem e que as pessoas também já esqueceram de modo ligeiramente irreverente. Ao ver Molton atendendo uma ligação em seu celular de slide, Gaspar rapidamente entrou em ação utilizando o seu celular moderníssimo para filmar tudo o que aconteceria.
E o jovem descolado mostrou-se um bocado preconceituoso em relação ao estilo do outro rapaz, mas fez uma proposta: Molton iria passar um dia inteiro usando um Smartphone. Se ele se adaptasse, Gaspar poderia fazer um vídeo com a participação de seu rival, senão ele teria de fazer um vídeo de desculpas utilizando um celular mais antigo do que o atual de Molton.
A verdade é que Gaspar queria perder a aposta. Ele invejava a tranquilidade e a liberdade que Molton tinha para fazer o que bem quisesse sem que trezentas pessoas ficassem perguntando para saber da sua vida pessoal. Com uma notificação pipocando a cada minuto e um pequeno contrato de divulgação de celulares de uma marca mais simples, ele era induzido a fazer coisas que não gostaria.
Molton, ainda não aceitou a aposta. A aceitação estará formalizada apenas quando ele fizer um vídeo usando o seu recém adquirido celular confirmando a aposta e citando Gaspar. Ele sabe que ao fazer isso as redes sociais estarão entrando na sua vida como um estouro de boiada, e agora olha para para o aparelho, meditando enquanto faz um barro porreta no banheiro.
O que será que Molton fará?
Um outro jovem, Gaspar, era mais descolado e extremamente conhecido nas redes sociais com seus vídeos no vcTubo. Ganha muito dinheiro com marketing apenas falando sobre aquilo que não conhece muito bem e que as pessoas também já esqueceram de modo ligeiramente irreverente. Ao ver Molton atendendo uma ligação em seu celular de slide, Gaspar rapidamente entrou em ação utilizando o seu celular moderníssimo para filmar tudo o que aconteceria.
E o jovem descolado mostrou-se um bocado preconceituoso em relação ao estilo do outro rapaz, mas fez uma proposta: Molton iria passar um dia inteiro usando um Smartphone. Se ele se adaptasse, Gaspar poderia fazer um vídeo com a participação de seu rival, senão ele teria de fazer um vídeo de desculpas utilizando um celular mais antigo do que o atual de Molton.
A verdade é que Gaspar queria perder a aposta. Ele invejava a tranquilidade e a liberdade que Molton tinha para fazer o que bem quisesse sem que trezentas pessoas ficassem perguntando para saber da sua vida pessoal. Com uma notificação pipocando a cada minuto e um pequeno contrato de divulgação de celulares de uma marca mais simples, ele era induzido a fazer coisas que não gostaria.
Molton, ainda não aceitou a aposta. A aceitação estará formalizada apenas quando ele fizer um vídeo usando o seu recém adquirido celular confirmando a aposta e citando Gaspar. Ele sabe que ao fazer isso as redes sociais estarão entrando na sua vida como um estouro de boiada, e agora olha para para o aparelho, meditando enquanto faz um barro porreta no banheiro.
O que será que Molton fará?
Frente fria
Uma frente fria está chegando no Rio de Janeiro. Na verdade já chegou e tá até chovendo, isso significa que vai ter muita gente ficando gripada devido a mudança climática.
Como tudo na vida, mudanças bruscas realmente tem algum impacto sobre nosso corpo. Sejam essas mudanças no clima, na gente ou em alguém que conhecemos. Isso não é necessariamente ruim. É só saber usar os fatos a nosso favor.
Eu estou em uma mudança brusca e me adaptando. Posso dizer também que diversas frentes frias estão aos poucos fazendo chover e regando a minha terra. Tornando-a produtiva novamente.
Como tudo na vida, mudanças bruscas realmente tem algum impacto sobre nosso corpo. Sejam essas mudanças no clima, na gente ou em alguém que conhecemos. Isso não é necessariamente ruim. É só saber usar os fatos a nosso favor.
Eu estou em uma mudança brusca e me adaptando. Posso dizer também que diversas frentes frias estão aos poucos fazendo chover e regando a minha terra. Tornando-a produtiva novamente.
Polêmica #60 - Bolsonaro Contra-Ataca
Eu vejo uma porção de gente focando o dia de ontem apenas em 1 ou 2 membros do plenário e eu vou colocar aqui alguns pontos que eu acho pertinentes.
Bolsonaro saudou um torturador. Agora vamos olhar pelo lado de quem combate o crime. Se você tem uma pessoa que você sabe e tem provas de que a pessoa estava envolvida em atividade criminosa e ainda sabe que ela não atuou sozinha, você não torturaria aquela pessoa? Ou melhor, por que não torturar os filhos daquela pessoa? Na hora que o bope tortura bandido no tropa de elite todo mundo concorda né? Tortura é uma técnica de obtenção de informações sem escrúpulos. É a questão de sacrificar 1 pra salvar 500. Eu certamente não teria coragem pra isso, mas tem gente que o faz e realmente consegue resultados positivos.
domingo, 24 de abril de 2016
Parcimônia Frenética #15 - Aventureiros (Descansando na beira do riacho)
O halfling habilmente cortava a grama alta e arbustos mais densos enquanto traçava o caminho da estrada até o riacho escondido entre as árvores baixas. As adagas reluziam ao surgirem subitamente em suas mãos para cortarem o caminho, e sumiam com mais um piscar sem deixar pistas de onde haviam ido parar. É claro que o fato de Phyl estar usando uma camisa simples e encardida, e uma calça transbordando de bolsos deixava a dedução bem simples.
O homem com as placas de metal seguia logo atrás com o mico empoleirado em sua cabeça, acompanhado pelo trôpego e desajeitado jovem de robes longos e escuros que carregava a pilha de vestes da elfa e parecia indeciso sobre tropeçar nas raízes protuberantes e imperfeições do terreno, ou no próprio robe. A anã, cada vez mais vermelha e suada, vinha mais atrás arrastando os pés e bufando.
Logo todos estavam na beira do riacho. O homem pôs suas tralhas e a mochila da elfa no chão, e foi ajudar a anã a se livrar das próprias de maneira estranhamente gentil para um figura tão mal-encarada e sisuda. A anã desabou nas margens d'água assim que pôs os pés dentro da mesma, e brigou e resmungou um bocado antes de acabar aceitando a ajuda do homem para tirar sua mochila e tralhas das costas. O halfling simplesmente se jogou de costas na grama úmida e fresca, e aproveitou a sombra.
A harpia planou em espiral até atingir o solo, e posou elegantemente próxima ao grupo. Assim que os pés da ave tocaram o chão, a transformação se iniciou de forma reversa. Seu corpo se alongando, as penas e bico se retraindo, e as formas se enchendo até dar lugar a seu corpo feminino. Obviamente ela estava agora nua ali, fato que claramente envergonhava profundamente o jovem de robes longos e escuros, que fazia o melhor possível para estender a pilha de roupas que havia trazido para a elfa enquanto virava a cabeça para o lado oposto e espremia suas pálpebras para que se mantivessem fechadas com toda sua força.
O halfling era o único outro que parecia se importar com a aparição da companheira nua ali, lançando olhares fugazes e dissimulados para o corpo da mesma.
A elfa terminou de se vestir, e em breve todos estavam assentados e bebendo água, se refrescando no riacho, e enchendo seus cantis. Finalmente num ambiente fresco e protegido do sol eles podiam enfim descansar e recuperar as forças. A pele alva da anã voltara quase que completamente ao seu tom pálido, ressaltado pelas bochechas, nariz, e ombros que agora exibiam um tom avermelhado que demoraria um pouco a sumir. E ela também parecia bem mais confortável e vigorosa, apesar de que isso só significava que havia recuperado forças o suficiente para reerguer sua fachada orgulhosa.
- Se retomarmos a caminhada depois de descansarmos um momento, ainda teremos algum tempo de luz. Provavelmente o suficiente até chegarmos as ruínas. - disse o homem das placas de metal.
- Temos mesmo que voltar a andar ainda hoje, Karl? Não dá pra ficar por aqui e montar acampamento? Parece um lugar tão confortável... - sugeriu o halfling displicentemente enquanto se espreguiçava na grama.
- E perder metade do dia só porque alguns de nós não conseguem aguentar um pouquinho de calor? - respondeu num tom agressivo a elfa, Nerani.
A anã sentiu-se imediatamente ofendida, se pondo de pé e estufando o peito.
- Eu não pedi que ninguém parasse em lugar nenhum! Estava bem e podia continuar andando se quisessem!
A elfa suspirou e ergueu uma mão apaziguadora.
- Não estava me referindo a você, Lanma. Acalme-se.
A anã bufou e sentou-se novamente, ainda irritada e se aproveitando do rubor da queimadura para esconder o enrubescimento de vergonha que tomava suas bochechas.
- E-eu não queria voltar a andar... Ma-mas acho que daqui a pouco o sol vai estar mais baixo, mais fraco. Não f-faz sentido mesmo parar agora na metade do di-dia. Infelizmente...
- Então, descansaremos um pouco e então voltaremos a andar para chegar nas ruínas antes que o sol se ponha. - ordenou Karl de forma conclusiva.
Cada um então virou-se para um lado e se puseram a descansar. Phyl, o halfling, parecia cochilar na grama. Nerani, a elfa, mantinha-se sentada numa posição de aparência desconfortável olhando para o vazio, enquanto o mico, Prim, saltitava a sua volta caçando insetos. Lanma estava sentada encostada no tronco de uma árvore perto da margem do riacho, com uma feição aborrecida, e acariciava seu pesado machado sobre as pernas como um animal de estimação querido.
O jovem de robes longos e escuros tinha tirado um pesado livro da mochila, e parecia lê-lo concentrado. Porém, foi ele o primeiro a perceber que alguns minutos depois algo havia acontecido.
- Errr... Pe-pessoal...? - ele indagou aos outros a sua volta.
- O que foi, Mirdonis? - o halfing respondeu prontamente, revelando estar bem mais atento do que parecia.
- Ca-cadê o Karlrock?
E o homem das placas de metal, Karlrock, realmente não estava em nenhum lugar a vista.
O homem com as placas de metal seguia logo atrás com o mico empoleirado em sua cabeça, acompanhado pelo trôpego e desajeitado jovem de robes longos e escuros que carregava a pilha de vestes da elfa e parecia indeciso sobre tropeçar nas raízes protuberantes e imperfeições do terreno, ou no próprio robe. A anã, cada vez mais vermelha e suada, vinha mais atrás arrastando os pés e bufando.
Logo todos estavam na beira do riacho. O homem pôs suas tralhas e a mochila da elfa no chão, e foi ajudar a anã a se livrar das próprias de maneira estranhamente gentil para um figura tão mal-encarada e sisuda. A anã desabou nas margens d'água assim que pôs os pés dentro da mesma, e brigou e resmungou um bocado antes de acabar aceitando a ajuda do homem para tirar sua mochila e tralhas das costas. O halfling simplesmente se jogou de costas na grama úmida e fresca, e aproveitou a sombra.
A harpia planou em espiral até atingir o solo, e posou elegantemente próxima ao grupo. Assim que os pés da ave tocaram o chão, a transformação se iniciou de forma reversa. Seu corpo se alongando, as penas e bico se retraindo, e as formas se enchendo até dar lugar a seu corpo feminino. Obviamente ela estava agora nua ali, fato que claramente envergonhava profundamente o jovem de robes longos e escuros, que fazia o melhor possível para estender a pilha de roupas que havia trazido para a elfa enquanto virava a cabeça para o lado oposto e espremia suas pálpebras para que se mantivessem fechadas com toda sua força.
O halfling era o único outro que parecia se importar com a aparição da companheira nua ali, lançando olhares fugazes e dissimulados para o corpo da mesma.
A elfa terminou de se vestir, e em breve todos estavam assentados e bebendo água, se refrescando no riacho, e enchendo seus cantis. Finalmente num ambiente fresco e protegido do sol eles podiam enfim descansar e recuperar as forças. A pele alva da anã voltara quase que completamente ao seu tom pálido, ressaltado pelas bochechas, nariz, e ombros que agora exibiam um tom avermelhado que demoraria um pouco a sumir. E ela também parecia bem mais confortável e vigorosa, apesar de que isso só significava que havia recuperado forças o suficiente para reerguer sua fachada orgulhosa.
- Se retomarmos a caminhada depois de descansarmos um momento, ainda teremos algum tempo de luz. Provavelmente o suficiente até chegarmos as ruínas. - disse o homem das placas de metal.
- Temos mesmo que voltar a andar ainda hoje, Karl? Não dá pra ficar por aqui e montar acampamento? Parece um lugar tão confortável... - sugeriu o halfling displicentemente enquanto se espreguiçava na grama.
- E perder metade do dia só porque alguns de nós não conseguem aguentar um pouquinho de calor? - respondeu num tom agressivo a elfa, Nerani.
A anã sentiu-se imediatamente ofendida, se pondo de pé e estufando o peito.
- Eu não pedi que ninguém parasse em lugar nenhum! Estava bem e podia continuar andando se quisessem!
A elfa suspirou e ergueu uma mão apaziguadora.
- Não estava me referindo a você, Lanma. Acalme-se.
A anã bufou e sentou-se novamente, ainda irritada e se aproveitando do rubor da queimadura para esconder o enrubescimento de vergonha que tomava suas bochechas.
- E-eu não queria voltar a andar... Ma-mas acho que daqui a pouco o sol vai estar mais baixo, mais fraco. Não f-faz sentido mesmo parar agora na metade do di-dia. Infelizmente...
- Então, descansaremos um pouco e então voltaremos a andar para chegar nas ruínas antes que o sol se ponha. - ordenou Karl de forma conclusiva.
Cada um então virou-se para um lado e se puseram a descansar. Phyl, o halfling, parecia cochilar na grama. Nerani, a elfa, mantinha-se sentada numa posição de aparência desconfortável olhando para o vazio, enquanto o mico, Prim, saltitava a sua volta caçando insetos. Lanma estava sentada encostada no tronco de uma árvore perto da margem do riacho, com uma feição aborrecida, e acariciava seu pesado machado sobre as pernas como um animal de estimação querido.
O jovem de robes longos e escuros tinha tirado um pesado livro da mochila, e parecia lê-lo concentrado. Porém, foi ele o primeiro a perceber que alguns minutos depois algo havia acontecido.
- Errr... Pe-pessoal...? - ele indagou aos outros a sua volta.
- O que foi, Mirdonis? - o halfing respondeu prontamente, revelando estar bem mais atento do que parecia.
- Ca-cadê o Karlrock?
E o homem das placas de metal, Karlrock, realmente não estava em nenhum lugar a vista.
Assinar:
Postagens (Atom)