quinta-feira, 21 de março de 2019

Flambarda - A Detetive Elemental #44

Um mundo de emoções transitava pela cabeça de Flambarda naquele momento, e tudo culminava para que tudo fosse uma louca teoria da conspiração onde centrada nela e na Fernanda. O punho direito onde estava a luva agora pegava fogo com a ira da detetive. Felipe, que assistia a cena ficou pasmo ao ver o luvetal na mão direita da jovem pegando fogo e só conseguiu soltar um - Caralho! - enquanto Brahma tentou conversar o mais calmamente possível.

- Ei, abaixa esse punho. Me bater não vai levar a lugar nenhum.
- Responde logo! - Flambarda respondeu quase cuspindo na cara dela.
- Tá bom! Tá bom! Fui eu sim! Fui eu! Fui eu quem...

E quando ela ia terminar, Flambarda socou o chão passando de raspão pela cara de Fernanda. O soco gerou uma pequena onda de choque que de fato foi sentida como um soco, certamente bem mais fraco do que seria se o golpe fosse desferido diretamente. A detetive piscou, como se estivesse voltando a si. A chama da luva se extinguiu conforme ela puxou os braços devagar mas ainda se manteve sobre Brahma, cuja cara estava virada para o lado com os cabelos desarrumados sobre a face devido ao golpe indireto, exercendo dominância.

- Ok. Eu já entendi. Eu posso pelo menos me explicar?
- Eu... - Flambarda hesitou por um instante, mas continuou. - ...Acho que sim.
- Ótimo. A gente pode fazer isso dentro da casa do Felipe tomando café?
- Você acha que eu sou idiota?
- Estou em dúvida.

Após essa frase, Brahma fez um sinal com a face para Felipe, que não era lá um ás da força, mas sabia canalizar alguma energia e o fez pra retirar Flambarda, que se debateu muito antes de ser removida de cima de Fernanda, a qual se levantou lentamente, e ficou sentada encarando a detetive que estava se jogando no chão, mas sendo suspensa pelo homem que a segurava por debaixo dos braços na situação, e terminava numa posição quase sentada também.

- Você tem fibra mesmo! Vambora! - Ela disse terminando de se levantar e entrando na casa de seu amigo.

A descrição batia, Felipe era um moreno não muito alto, mas não parecia que passaria despercibo em uma situação devido ao seu rosto particularmente redondo e bochechudo. Ele era meio gordinho também e estava usando um colete xadrez, além de uma blusa verde simples e uma calça jeans, além de chinelo com meias. Talvez fosse mais bonitinho se estivesse mais arrumadinho, e a sensualidade tinha ido embora no momento que ela viu o calçado do rapaz. Ele fez um gesto convidando-a para entrar. A casa era a de número 100 e como todas as outras, se tornava particularmente assustadora de noite devido a vegetação que todas elas tinham, mesmo com a iluminação dos postes.

Felipe morava sozinho, então não haviam outras pessoas em casa, mas haviam duas gatas circulando, uma preta e uma branca, e ele instruiu as meninas a se sentarem no chão nas almofadas enquanto ele fazia o café na cozinha, e foi exatamente como elas fizeram.

- Para uma detetive, você até que assume muitos riscos. - Disse Fernanda, sentada em uma almofada cinza.
- Você tem muitas coisas a me explicar e dependendo do que você falar, pode ter certeza que eu volto praquele careca filho da puta se você for mais filha da puta que ele. - Flambarda respondeu, se ajeitando no lado oposto da sala.
- Ah, voce também não gosta dele?
- E se você continuar me enrolando eu vou gostar mais dele do que de você, que coisa não? - A detetive fez um gesto apoiando o rosto sobre uma das mãos pra expressar insatisfação.
- Ok. Justo. Eu te stalkeei mesmo. Eu precisava ter noção de qual buraco você ia se enfiar, e eu obviamente queria a pessoa que tem a minha alabarda no meu time.
- Pelo menos você ainda tem algum pingo de sinceridade.
- Eu vou tomar isso como um elogio.
- Vai continua, a história.
- E daí eu passei a aliciar a Sofia pra poder chegar até você de alguma forma.
- E precisou daquela merda toda pra gente se conhecer? Você não podia ter feito igual uma pessoa normal?
- Não porque eu tava caçando uma MS naquele dia.
- MS?
- Manifestação de Shiva. - Disse Felipe entrando pela sala com uma bandejinha e três xícaras. - Chegou o café meninas.
- Que porra é essa?
- É um bagulho que não é exatamente um Malamorfo mas também busca a destruição deliberada, de preferência de grandes fontes de energia, e adivinha só o que você é, senhorita Flambarda? - Respondeu Fernanda enquanto pegava café.
- Vem cá, como é que você sabia do meu nome esse tempo todo? - A detetive perguntou, também se servindo.
- Uma pergunta melhor seria quem não te conhece.
- Que?
- Até eu já sabia quem você era. - Disse Felipe.
- Como assim!? - Flambarda estava realmente perplexa, mas não exatamente assustada.
- Eu acho que você sabe que existem infiltrados dos dois lados... - Fernanda fez um gesto abanando as mãos como se fosse óbvio após a fala. - ...Mas eu vou apenas supôr que você sabe isso. A profecia vazou porque seu pai era um bocão e o nosso infiltrado acabou sabendo, e se fosse verdade mesmo nós precisamos desse poder pra derrubar os druidas.
- E porque eu deveria acreditar que vocês são melhores que os druidas?
- Porque eles estão pegando o equilíbrio do universo e enfiando no cu.
- Ok. Isso parece bonito, mas eles são mais a favor da vida do que vocês.
- É óbvio que o Vishnu é a favor da vida. O trabalho dele é a manutenção dela. Só que o bichnho pirou na batatinha.
- Que porra é essa de Vishnu?
- Uai, tu não sabe? - Perguntou Felipe.
- Duh. Óbvio que não.
- Ai ai... - Ele suspirou. - ...Senta que la vem textão.

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