sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Flambarda - A Detetive Elemental #35

Todos menos Paulo. O homem olhava a cena estarrecido. Ele mesmo não esperava que ela fosse capaz de fazer tal feito porque ele com seus 1,75m e vida bastante regrada de academia provavelmente não seria capaz de fazer isso. Em contrapartida, Flambarda olhava para o saco de areia estatelado no chão sem as correntes que o prendem, sem acreditar muito no que havia feito. Depois de cerca de uns dois minutos olhando a situação ela despirocou.

- Aeeeeeeeeeee! - Ela disse socando no ar. - Porra! Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuul! - Fazia dancinhas de conotação sexual. - Quem é a mamãe!? Hã!? Quem é a mamãe!? - Ela fazia aqueles gestos de rapper com a mão. - Sou eu, modafoca! - Obviamente ela atraiu a atenção da academia toda novamente.
- Meus parabéns! - Dizia Paulo se aproximando batendo palmas lentas. - Eu nunca vi alguém bater com tanta vontade assim em um saco de areia.
- Honestamente, nem eu! - Ela parecia de certa forma feliz.
- Geralmente a gente não faz isso porque quem faz isso tem que comprar um novo.
- Ta de zoa? - A alegria de Flambarda ja ia por água abaixo.
- Nops.
- Ah, cara! Não posso nem... - E foi interrompida
- Mas eu falei pra você que ia resolver isso, não falei?
- Sério mesmo? - O rosto dela se iluminou como se um raio de esperança batesse em sua face.
- Vou. - Ele disse com uma cara de "Tá tranquilo."
- Ai! Brigada, brigada, brigada! - E tascou-lhe um beijo na bochecha.
- Erm... Ok.
- Ah sim! Você prometeu que eu podia pedir quase qualquer coisa.
- Pois é, eu honestamente estou um pouco receoso do que você vai pedir.
- Então... - Flambarda mordeu os lábios, e disse baixinho. - Quanto tempo você pode ficar fora da recepção?
- Acho que uns 15 minutos. Não muito mais que isso.
- Então dá um jeito de arrumar esses 15 minutos assim que eu voltar. - Ela manteve o mesmo tom de voz e assim que terminou a frase, foi até a mochila, pegou dinheiro e disparou para fora da academia.

A detetive se encheu de euforia. Ela foi andando bem rápido em direção a fármacia mais próxima e comprou dois pacotes de camisinha. Um padrão e outro extra longo porque vai que ela tira a sorte grande, né? Ela também pegou umas 2 barras de chocolate e outras 2 de cereal, porque marombeiro geralmente enche o saco pra comer chocolate, e porque ela certamente ia querer comer chocolate depois de fazer sexo. Ela rapidamente voltou carregando uma pequena sacola plástica da farmácia e encontrou Paulo na recepção.

- Ah! Que merda! meu cartão ficou aí dentro! - Ela reclamou assim que chegou.
- Tranquilo. - Ele liberou a entrada manual pra ela. - Comprou o que precisava?
- Comprei sim. - Ela colou no corpo dele e sussurrou. - Pronto pra me comer? - Os olhos dele se arregalaram por um instante, e incrédulo, ele perguntou:
- Eu?
- Olha, não enrola senão eu desisto.

Ele pegou a chave do vestiário masculino, colocou um aviso de retorno sobre o balcão, e carregou a mulher para dentro do ambiente. Algumas pessoas da academia olharam e já haviam induzido o que estavam acontecendo, mas não estavam nem aí. Lá dentro Flambarda e Paulo se juntavam numa mistura puramente lasciva. Ela ficou um pouco triste porque o tamanho da coisa não era tanto assim, mas certamente foi o suficiente pra ela fazer a brincadeira que ela tanto queria. Infelizmente a ação foi rápida. Durou 5 minutos, e por mais prazeroso que tivesse sido, ela não conseguiu chegar ao orgasmo.

Mas após fingir o orgasmo e encerrar a atividade, ambos se sentaram no chão, encostados em paredes opostas do recinto, se encarando por algum tempo. Ela se levanta primeiro, e começa a se vestir e ele faz o mesmo em seguida. Ele havia trancado a porta e quando a abriu, ela saiu primeiro deixando as duas barras de ceral com ele, e retirando as de chocolate da sacola que ela levara consigo para dentro do vestiário. A detetive ajeitou as coisas na mochila, pegou o cartão, e, nesse meio tempo, o recepcionista voltou para seu posto, e, enquanto removia o aviso, ela passou e parou no balcão debruçando-se sobre ele de forma provocativa, esperando ele chegar perto para poder conversar com ele em voz baixa, enquanto ele reparou e fez conforme esperado.

- Valeu. Eu tava precisando. - Ela disse.
- Pra essa aí eu nem vou cobrar o favor.
- Pois devia. Gigolô é mais caro que puta. - Ela retrucou, rindo enquanto saía da academia.

Não deu nem duas horas direito que isso tudo tinha acontecido e uma barra de chocolate certamente não seria o suficiente para acalmar a fome da jovem depois disso tudo. Ela precisava comer em grandes quantidades, de preferência, besteira. Nada como o shopping Tijuca então pra resolver o problema. Ela deu uma volta e foi rapidamente no McDonalds comprar um trio e um sanduba do dia, os quais ela devorou de forma animal, pra ver se acalmava a fome, e parece que funcionou.

Obviamente já que estava no shopping ela não ia perder a oportunidade de olhar vitrine. Ela não curtia muito ficar vendo sapatos mas quando ela via sneakers, a baba era inevitável. Geralmente ela era abordada por um vendedor e despistava com o clássico - "Só to dando uma olhada." - pra sair pela tangente logo em seguida. Se tinha uma coisa que ela não estava afim era de gastar dinheiro, mas ao mesmo tempo ela tava doida pra levar alguma coisa porque, afinal de contas, ela se achava merecedora depois de seus feitos, tanto de força quanto de sobrevivência.

Até que, rodando pelo shopping, depois de adquirir 3 cordões de bijouteria só pra falar que de fato comprou alguma coisa, ela foi abordada por uma voz masculina particularmente familiar mas que geralmente não trazia nenhuma boa lembrança. Tudo estava indo tão bem até agora, porque diabos ele tinha que aparecer aqui pra estragar todo o momento?

- Flam! - Rodney gritou assim que a viu passar, e ela sentiu muita raiva de si mesmo quando olhou na direção dele, esperou ele chegar perto e falou.
- O que que você tá fazendo aqui, seu puto? - Flambarda falou em tom de voz baixo.
- Assim que a Bibi me liberou eu precisava ir atrás de você. Foi difícil, mas induzi que você em algum momento viria ao shopping e acho que eu estava certo!
- Esse é o problema, Rodney. Você estava certo em como me achar.
- Pera, você não queria que eu te achasse?
- Rodney, sempre que você me acha o mundo explode.
- Mas Flambarda, nós precisamos recuperar a alabarda.
- Tá. Tá, e você tem uma noção de onde ela tá por acaso?
- Na verdade, sim. - Ele disse sacando o celular e mostrando uma notícia que acharam uma alabarda perdida e estão levando-a para o museu para análise.
- Que!? - Ela pegou o celular da mão dele pra ver.
- E então? Pronta?
- Não. Pera, Rodney. - Falou Flambarda, devolvendo o celular. - Não é assim.
- Você não quer pegar a alabarda?
- Eu quero, Rodney, mas não hoje.
- Que!?
- Rodney... - Ela levou a mão a cara num movimento descendente. - ...Se eu for vai dar merda, e, sinceramente, hoje é um dia que eu não quero que dê mais merda do que já deu.
- Como assim?
- Rodney, só... - Ela pensou. - Me liga amanhã. Amanhã eu vou contigo até a puta que pariu pra pegar essa alabarda, mas hoje não.
- Mas o que... - E foi interrompido pela mão dela.
- Rodney! - A jovem fez uma cara de quem estava muito puta. - Não!
- Tá bom então, eu te ligo amanhã.

"Mas que sangria desatada!" - Pensou a detetive conforme voltava pra casa. Agora Rodney estava longe, estava tudo bem. Era só chegar em casa dormir, conversar com a mamãe quando ela chegar, jantar e dormir de novo. O mundo não ia explodir hoje. Ela mandou uma mensagem pra Bibi e pra Sofia pedindo desculpas por não ter ido fazer a prova porque aconteceu algo realmente importante, silenciou o celular e foi descansar um pouco até a hora de sua mãe chegar.

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